Cidades mais seguras começam pelos dados: a estratégia da Gabriel

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Cidades mais seguras começam pelos dados a estratégia da Gabriel Tecnologia

Nas cidades brasileiras, onde a dinâmica urbana muda a cada segundo, entender o que acontece nas ruas é um dos maiores desafios da segurança pública. Diferentemente do ambiente digital, altamente estruturado e rastreável, o espaço físico é caótico, fragmentado e invisível aos sistemas tradicionais. É nesse cenário que ganha força a ideia de que cidades mais seguras começam pelos dados, premissa que orienta a estratégia da Gabriel.

“Nosso trabalho é transformar o caos urbano em inteligência acionável”
Vítor Finger, CPO da Gabriel

Com mais de 4,5 mil câmeras Camaleão equipadas com visão computacional e uma Central de Monitoramento 24h, a empresa atua como uma camada de inteligência urbana, ajudando prefeituras e forças policiais a transformar eventos cotidianos em dados acionáveis.

A participação em programas como o Smart Sampa, em São Paulo, que projeta a integração de 5,3 mil câmeras da Gabriel à plataforma municipal, reforça o impacto e a escala dessa atuação.

Em entrevista exclusiva ao portal Tudo Sobre CDP, Vítor Finger, Chief Product Officer e sócio da empresa, explica como a Gabriel aplica IA em camadas, revela os desafios de estruturar a rua como um ambiente de dados e traça a visão de futuro para um ecossistema urbano mais inteligente.

Estruturar a rua: o desafio que define o produto

Para Vítor, tudo começa por uma premissa simples e poderosa:

“A rua é uma caixa preta. Não temos ideia do que acontece até que um sensor traduza esse movimento em informação.”

Enquanto o digital é previsível e organizado, a rua não é. Por isso, diz ele, o maior desafio tecnológico do futuro está em interpretar o mundo físico da mesma forma que interpretamos eventos digitais.

Nesse contexto, a Gabriel desenvolveu um pipeline robusto de visão computacional e monitoramento inteligente para transformar imagens brutas em inteligência acionável, incluindo:

  • Leitura automática de placas;
  • Reconstrução de rotas;
  • Detecção de eventos relevantes;
  • Alertas enviados diretamente às autoridades.

Segundo dados oficiais da Gabriel, o sistema permite que forças de segurança tenham acesso a metadados, histórico de rota e evidências visuais sob solicitação formal, tudo dentro de protocolos rígidos de sigilo e compliance.

Três camadas de IA: produto, serviços e eficiência interna

Vítor divide o uso da inteligência artificial dentro da empresa em três níveis complementares:

Camada 1: Produto físico (IA clássica)

O Camaleão, par de câmeras de visão computacional, faz:

  • Leitura de placas;
  • Conversão imagem → texto;
  • Processamento de borda;
  • Geração de metadados.

Essa IA não é generativa; é algorítmica, rápida e otimizada para o ambiente urbano.

Camada 2: Prestação de serviços

Relatórios, resumos de ocorrências e parte do atendimento da Central 24h já são produzidos com apoio de IA.

Modelos auxiliam a:

  • Sintetizar informações;
  • Consolidar dados de diferentes sensores;
  • Produzir relatórios de eficiência para prefeituras e forças de segurança.

Camada 3: Operação interna

“Todos os colaboradores têm acesso ao ChatGPT Pro”, afirma Vítor.

IA generativa apoia:

  • Equipes administrativas;
  • Squads de tecnologia;
  • Analistas de operações;
  • Atendimento e gestão.

A empresa internalizou a cultura de usar IA para aumentar produtividade e reduzir tempo de resposta.

Interação antes da personalização: o futuro da experiência Gabriel

Apesar de ser uma empresa com alta maturidade tecnológica no core, Vítor explica que a área de MarTech ainda está em evolução. Hoje a prioridade é: responder rápido ao cidadão e ao cliente, depois evoluir para personalização avançada e, por fim, integrar tudo em uma futura CDP.

A Gabriel já usa IA em:

  • Redes sociais;
  • Interação com usuários;
  • Coleta e interpretação de dados de engajamento.

Porém ainda está estruturando seu Data Warehouse, etapa prévia antes da implementação de uma CDP e de um programa robusto de identidade.

“A gente ainda está um passo atrás nessa frente, porque a urgência era estruturar primeiro as interações e resolver o maior gap: tempo de resposta.”

Como funciona o pipeline completo de dados da Gabriel

Com base na entrevista e na documentação oficial da Gabriel (“Gabriel Autoridades”), o fluxo funciona assim:

1. Evento na rua
Uma câmera detecta um veículo, comportamento ou movimento relevante.

2. Processamento local (borda)
A leitura da placa é feita no próprio dispositivo.

3. Enriquecimento e roteamento
Metadados são enviados para a Central 24h, onde são contextualizados e indexados.

4. Inteligência acionável
A Central cruza dados com bancos de veículos de interesse e notifica autoridades competentes.

5. Solicitação formal de autoridades

Forças de segurança podem solicitar:

  • Imagens;
  • Rotas;
  • Reconstrução de eventos;
  • Evidências complementares.

Segundo a própria empresa, todo acesso é auditado, protocolado e autorizado apenas mediante determinação formal.

Acesso do cidadão, protocolos e governança

De acordo com a página Gabriel Autoridades, qualquer cidadão: envolvido em um evento de segurança, com interesse legítimo, mediante justificativa, pode solicitar imagens.

A empresa afirma que: segue prazos de retenção e descarte conforme legislação, não usa reconhecimento facial, opera sob rígidos padrões de confidencialidade, mantém ofícios e logs de acesso como parte do devido processo legal.

Casos emergenciais também podem ser encaminhados à Central 24h, que faz triagem e envia as orientações.

Expansão: de 4,5 mil câmeras a São Paulo e Smart Sampa

A Gabriel já opera milhares de câmeras de monitoramento em diversos municípios do país, mas sua expansão mais emblemática acontece em São Paulo. Segundo reportagem da CNN Brasil, 5,3 mil câmeras da empresa serão integradas ao Smart Sampa, o maior programa de videomonitoramento da América Latina.

Somadas às demais fontes de vídeo já conectadas, a capital paulista ultrapassa 40 mil câmeras integradas ao sistema municipal, reforçando uma infraestrutura que apoia tanto a resposta policial em tempo real quanto a gestão de mobilidade urbana.

Nesse contexto, a Gabriel se consolida como um dos pilares tecnológicos do ecossistema de inteligência urbana de São Paulo, ocupando uma posição estratégica dentro da maior cidade do continente.

Métricas e resultados públicos

A Gabriel mantém comunicação constante sobre os resultados da sua atuação, incluindo:

  • Dois veículos recuperados por semana (média citada oficialmente);
  • Apoio direto a investigações;
  • Colaboração com delegacias e patrulhamento;
  • Notificações automáticas de veículos de interesse;
  • Expansão contínua de Áreas de Proteção Gabriel;

Alguns municípios divulgaram relatórios em que a rede contribuiu para:

  • Redução de furtos/roubos em regiões monitoradas;
  • Aumento da elucidação de crimes de trânsito;
  • Localização de desaparecidos e suspeitos.

A visão de futuro: sensores que entendem comportamento humano

Vítor acredita que o próximo salto da IA urbana será interpretar contexto, não apenas eventos isolados.

“Um ser humano parado numa esquina cria inteligência. Ele observa padrões, reconhece situações anormais. A IA precisa chegar nesse ponto.”

Ele prevê avanços em:

  • Modelos preditivos de risco urbano;
  • Trilhas comportamentais;
  • Detecção de padrões suspeitos;
  • Análise agregada de fluxo urbano;
  • Combinações de múltiplos sensores inteligentes.

O objetivo é criar uma IA que interpreta a cidade como um observador humano, mas com escala e confiabilidade superiores.

Conclusão

A Gabriel Tecnologia se posiciona como uma das empresas mais avançadas em inteligência urbana no Brasil. A companhia transforma milhares de pontos da cidade em sensores inteligentes que ajudam a estruturar a rua, um ambiente historicamente opaco, e dar velocidade às forças de segurança.

Com alto uso de IA no core do produto, integração crescente com municípios, protocolos sólidos de governança de dados e ambições claras de evoluir para uma camada ainda mais preditiva, a Gabriel emerge como um dos pilares tecnológicos da construção de cidades mais seguras, eficientes e inteligentes.

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