C-level Talks: Alexandre Assis, Diretor de Expansão no Sicoob União dos Vales

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“Nosso foco não é ser a instituição que mais lucra, mas a que mais promove prosperidade.”

Alexandre Assis, Diretor de Expansão no Sicoob União dos Vales

O sistema financeiro brasileiro passa por uma transformação silenciosa, mas profunda. Em um mercado historicamente dominado pelos grandes bancos, o cooperativismo financeiro vem ampliando participação ao combinar proximidade, personalização, relacionamento consultivo e uma proposta de valor baseada em prosperidade compartilhada.

Ao mesmo tempo em que o setor avança em digitalização, inteligência artificial, automação e novos modelos de atendimento, cresce também a demanda por experiências financeiras mais humanas, aderentes às necessidades reais de empresas e empreendedores. Em especial, segmentos de médio porte e nichos específicos da economia têm buscado instituições capazes de compreender as particularidades de seus negócios e oferecer soluções menos padronizadas.

Nesse contexto, o cooperativismo financeiro ganhou escala, musculatura operacional e capacidade tecnológica, deixando de ser visto apenas como uma alternativa regional ou de pequenos municípios para disputar espaço também nos grandes centros econômicos do país.

Para entender esse movimento, nesta edição do C-level Talks conversamos com Alexandre Assis, diretor de expansão do Sicoob União dos Vales, sobre crescimento, especialização setorial, personalização financeira, inteligência artificial e o papel do cooperativismo em um mercado cada vez mais competitivo.

1) Para começarmos, conta um pouco sobre a evolução do cooperativismo financeiro no Brasil e como o Sicoob está estruturado hoje.

Alexandre Assis:

“O cooperativismo financeiro começou de forma muito segmentada. No início, as cooperativas surgiram para atender grupos específicos que tinham dificuldade de acesso ao sistema financeiro tradicional. Existiam cooperativas voltadas ao produtor rural, comerciantes, funcionários de determinadas empresas ou órgãos públicos.

Com o tempo, o Banco Central foi percebendo a relevância desse modelo e autorizou as chamadas cooperativas de livre admissão, permitindo que elas atendessem públicos mais amplos. Isso abriu espaço para um crescimento muito relevante do setor.

Hoje, o sistema Sicoob possui uma estrutura bastante organizada. Existe um banco cooperativo central, responsável pela construção dos produtos e serviços da marca. Abaixo dele, estão as centrais regionais espalhadas pelos estados e, depois, as cooperativas singulares, que possuem autonomia de gestão e relacionamento com seus associados.

Essa estrutura permite padronização em produtos e serviços, mas também liberdade para cada cooperativa adaptar sua estratégia comercial de acordo com as necessidades locais e setoriais.

2) O Sicoob historicamente esteve muito presente em cidades menores. Como aconteceu esse movimento de expansão para os grandes centros?

Alexandre Assis:

Esse movimento aconteceu de forma natural, conforme o cooperativismo ganhou força e estrutura para atender empresas maiores.

Durante muito tempo, as cooperativas eram mais presentes em cidades do interior. Mas, à medida que passamos a atender negócios maiores, indústrias, empresas de médio porte e operações mais complexas, começamos também a expandir para capitais e grandes centros urbanos.

No caso do Sicoob União dos Vales, iniciamos nossas operações em Minas Gerais, muito ligados ao agronegócio, e há alguns anos começamos um processo de expansão para outros estados. Hoje, temos atuação em São Paulo, Bahia e outras regiões.

Mas essa expansão veio acompanhada de uma estratégia muito clara: não chegar querendo falar com todo mundo ao mesmo tempo. Nosso foco foi estudar segmentos específicos e entender onde existiam dores não atendidas.

3) Você comentou bastante sobre verticalização e segmentação. Como isso funciona na prática?

Alexandre Assis:

Nós entendemos que, quando você chega em uma cidade grande tentando ser tudo para todos, fica muito difícil gerar relevância.

Então começamos a estudar alguns segmentos específicos para entender suas dores, seu fluxo financeiro, seus desafios e suas necessidades de crédito.

Quando você entende profundamente um nicho, consegue oferecer soluções muito mais aderentes. Você não está apenas oferecendo crédito ou conta bancária, mas criando uma relação consultiva e personalizada.

Um exemplo é o setor de telecom e provedores de internet. Criamos carteiras dedicadas para atender especificamente esse público. Isso significa ter especialistas que entendem o segmento, conhecem a documentação necessária, o ciclo operacional, as fontes de receita, o perfil de investimento e até mesmo os riscos daquele mercado.

4) Como vocês estão lidando com a digitalização da experiência financeira?

Alexandre Assis:

Evoluímos muito nessa frente. Hoje praticamente todo o nosso processo é digital.

Abertura de conta, análise, contratação de crédito, emissão de produtos financeiros, cartões, praticamente tudo pode ser realizado digitalmente.

Mas existe um ponto importante: embora a digitalização seja essencial, acreditamos muito no atendimento consultivo, principalmente no relacionamento com pessoa jurídica.

Então nossa visão não é substituir o relacionamento humano. É usar a tecnologia para ganhar eficiência operacional e permitir que o gerente tenha mais tempo para gerar valor ao associado.

5) Muito se fala sobre inteligência artificial aplicada ao setor financeiro. Como vocês estão olhando para esse tema?

Alexandre Assis:

A inteligência artificial chegou para ficar. Não é mais tendência, é realidade.

Hoje já utilizamos IA em processos operacionais, principalmente ligados ao crédito. Estamos estruturando modelos de inteligência artificial para análise de indicadores, comportamento financeiro e apoio na aprovação de crédito.

Na prática, a IA consegue analisar uma série de variáveis e gerar recomendações de aprovação mais rápidas e adequadas ao perfil daquele associado.

Isso gera agilidade e escalabilidade. Afinal, quando uma cooperativa cresce muito, chega um momento em que fica humanamente impossível operar tudo de forma manual.

Também usamos tecnologia para atendimento de demandas mais simples do dia a dia, melhorando experiência e eficiência operacional.

6) Em um mercado tão competitivo, qual você acredita ser o principal diferencial do cooperativismo?

Alexandre Assis:

O principal diferencial está no propósito. Nosso foco não é ser a instituição que mais lucra. Nosso foco é ser a instituição que mais promove prosperidade para quem está conosco.

No cooperativismo, os recursos circulam dentro da própria comunidade de associados. O dinheiro depositado vira crédito para outro associado investir, crescer e gerar desenvolvimento econômico.

Isso muda completamente a lógica do relacionamento. Não olhamos apenas para rentabilidade da operação, mas também para o impacto econômico e social daquela decisão.

Muitas vezes, ajudamos pequenos empresários a terem acesso a crédito em condições que permitam crescer de forma sustentável.

7) Como vocês equilibram expansão da carteira de crédito e gestão de risco dentro do cooperativismo? O quanto proximidade com o associado, especialização dos segmentos e tecnologia ajudam nessa equação?

Alexandre Assis:

O cuidado com risco é fundamental. Mas acreditamos muito no crédito orientado.

Quando entendemos profundamente o negócio do associado, conseguimos estruturar operações muito mais adequadas à realidade dele.

Às vezes, o empresário ainda não está pronto para determinado volume de crédito. Então ajudamos primeiro na estruturação, organização e preparação do negócio. Temos inclusive parcerias com instituições como o Sebrae para apoiar esse desenvolvimento.

O nosso papel não é apenas emprestar dinheiro. É contribuir para o crescimento sustentável do associado.

Muitas empresas cresceram porque alguém acreditou nelas no momento certo, oferecendo suporte, orientação e condições justas para avançar.

8) C-level Insight: olhando além do crédito, qual é o verdadeiro papel de uma cooperativa?

Alexandre Assis:

“O propósito da cooperativa de crédito é gerar justiça financeira e possibilidade para os associados.

Meu foco não é a instituição que mais lucra, meu foco é a instituição que mais consegue promover prosperidade para quem está comigo.”

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