Junto Seguros aposta em IA, educação e inteligência operacional para transformar o seguro garantia no Brasil

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A Junto Seguros aposta em IA, educação e inteligência operacional para transformar o seguro garantia no Brasil em um momento no qual empresas, órgãos públicos e corretores começam a enxergar proteção financeira não apenas como exigência contratual, mas como ferramenta estratégica de continuidade dos negócios, mitigação de risco e ganho de eficiência. Em um mercado ainda pouco explorado, a seguradora vem acelerando investimentos em inteligência artificial, automação, APIs, educação do ecossistema e análise de dados para ampliar a adoção do seguro garantia e modernizar a experiência de todo o setor.

O mercado brasileiro de seguros ainda carrega uma contradição importante. Em um país marcado por instabilidade econômica, judicialização elevada, obras interrompidas e alta exposição a riscos corporativos, a cultura de proteção continua distante da maturidade observada em mercados mais desenvolvidos.

Para a Junto Seguros, esse cenário não representa apenas um desafio estrutural do setor, mas uma das maiores oportunidades de crescimento dos próximos anos.

Durante coletiva realizada com jornalistas em São Paulo, complementada por entrevista exclusiva ao Tudo Sobre CDP, executivos da seguradora desenharam um panorama que ajuda a entender não apenas para onde a companhia caminha, mas também como o próprio mercado de seguro garantia pode evoluir no Brasil. O diagnóstico passa por três pilares centrais: educação do ecossistema, inteligência operacional e tecnologia aplicada ao negócio de forma prática.

Com mais de três décadas de atuação dedicadas ao seguro garantia, a Junto construiu uma posição de protagonismo em um segmento ainda considerado técnico, pouco conhecido e, muitas vezes, subestimado por empresas brasileiras. Segundo a companhia, o momento atual marca uma inflexão importante: o seguro começa a deixar de ser percebido apenas como custo ou obrigação contratual para ganhar espaço como instrumento estratégico de continuidade dos negócios.

Um mercado gigantesco, mas ainda pouco compreendido

Na avaliação de Guilherme Malucelli, vice-presidente da companhia, o principal obstáculo para o crescimento do setor ainda é cultural.

“O brasileiro normalmente lembra do seguro apenas quando acontece um problema”, resume o executivo ao explicar a lógica predominante do mercado nacional. Para ele, tanto consumidores quanto empresas ainda associam seguro apenas ao sinistro, e não à proteção contínua, à previsibilidade operacional ou à mitigação de risco antes que ele aconteça.

Quando a conversa migra para o ambiente corporativo, a dimensão da oportunidade se torna ainda mais evidente.

Segundo Malucelli, existem cerca de 4 milhões de empresas brasileiras com potencial aderência ao seguro garantia, mas aproximadamente 100 mil utilizam o produto hoje, uma diferença que revela tanto um enorme mercado endereçável quanto uma baixa maturidade sobre o tema.

A percepção da companhia é que parte dessa transformação já começou. Crises recentes, pandemia, instabilidades econômicas e aumento da complexidade regulatória passaram a fazer empresas repensarem sua relação com risco. Negócios que antes raramente consideravam soluções de garantia começaram a enxergar seguros como parte da sustentação financeira e operacional da empresa.

“Há situações exógenas que a empresa não controla. E, em muitos casos, o seguro foi justamente o que garantiu continuidade ao negócio”, destacou Malucelli.

Educação virou estratégia de crescimento

Se existe um consenso entre os executivos da Junto, ele está na ideia de que não existe expansão sustentável sem educação do mercado.

Durante a coletiva, Roque de Holanda Melo, CEO da companhia, reforçou diversas vezes que o seguro garantia ainda sofre com desconhecimento técnico, especialmente entre empresas e novos corretores.

Em muitos casos, o produto sequer entra no radar por falta de familiaridade. É justamente por isso que a companhia vem ampliando treinamentos, programas de onboarding, capacitação recorrente e iniciativas de disseminação de conhecimento junto ao ecossistema.

A estratégia é pragmática. Quanto maior a compreensão do mercado sobre o produto, maior sua adoção.

Essa lógica vale tanto para empresas privadas quanto para órgãos públicos e corretores.

“O mercado ainda precisa de muito treinamento e literacia. Quando você transfere conhecimento, você cria mercado”, explicou Roque durante o encontro com jornalistas.

O raciocínio ajuda a entender por que a Junto passou a tratar educação não apenas como branding institucional, mas como motor efetivo de crescimento.

Coletiva de imprensa com a presença de membros da diretoria da Junto Seguros

A IA saiu do PowerPoint e entrou na operação

Embora educação apareça como base da estratégia, é a tecnologia que vem permitindo escalar esse movimento.

Na coletiva, um dos temas mais explorados foi o uso de inteligência artificial na operação da companhia. Mas diferente do discurso ainda comum em parte do mercado, baseado em promessas genéricas de eficiência, a Junto apresentou aplicações bastante concretas.

Segundo Karine Chaves, CTIO responsável pela frente de tecnologia e inovação da companhia, a inteligência artificial já está presente em praticamente toda a cadeia operacional da seguradora, da prospecção comercial até a subscrição de risco, análise documental, emissão e pós-venda.

Hoje, cerca de 99% das apólices passam por uma experiência digital, combinando automação, análise assistida e supervisão humana.

Na prática, a IA vem sendo utilizada para acelerar leitura de documentos financeiros complexos, análise de balanços, subscrição, avaliação de crédito, cruzamento de dados e apoio à tomada de decisão.

Em alguns casos, processos que antes levavam horas ou dias passaram a ser executados em minutos.

Malucelli cita como exemplo análises bancárias e avaliações de risco que hoje conseguem ganhar velocidade sem comprometer critérios técnicos. Ainda assim, ele faz uma ressalva importante: a decisão final continua sendo humana.

A lógica adotada pela companhia é clara: ampliar capacidade, não substituir especialistas.

Karine explicou que mesmo no desenvolvimento tecnológico a empresa opera em um modelo híbrido entre humanos e agentes inteligentes. Hoje, aproximadamente metade do código produzido internamente já possui algum nível de participação de agentes de IA. Ainda assim, todo código gerado por máquinas passa por validação humana, enquanto códigos escritos por humanos podem ser testados por agentes automatizados.

Outro ponto sensível, segundo a executiva, envolve governança. A seguradora estruturou mecanismos internos de segurança e guardrails para reduzir riscos ligados a privacidade, vazamento de informação e alucinações de modelos generativos, um cuidado particularmente relevante em uma indústria altamente regulada e sensível como seguros.

De seguradora para companhia orientada por inteligência de dados

Talvez uma das mudanças mais interessantes observadas na Junto esteja menos na automação e mais na forma como dados passaram a orientar decisões comerciais.

Hoje, a companhia já opera modelos de prospecção altamente contextualizados. Em vez de esperar o cliente chegar, sistemas proprietários conseguem identificar empresas com maior propensão de necessidade do produto.

Malucelli detalhou um dos casos durante a entrevista: robôs fazem leitura automatizada de passivos judiciais para identificar empresas que poderiam migrar depósitos judiciais para seguro garantia judicial, solução frequentemente mais eficiente financeiramente.

Outro modelo monitora diariamente diários oficiais e licitações públicas para identificar empresas vencedoras de concorrências que precisarão apresentar garantias contratuais.

A partir dessa leitura, a companhia consegue ativar corretoras e parceiros comerciais de forma extremamente contextual.

A mudança parece sutil, mas é profunda. Sai o modelo tradicional de prospecção genérica e entra uma lógica de comunicação baseada em contexto real de negócio.

O corretor continua no centro da estratégia

Apesar do avanço da automação, a Junto faz questão de reforçar que não existe qualquer intenção de desintermediar o corretor. Muito pelo contrário.

“O corretor é nosso principal canal e continuará sendo pelos próximos 30 anos”, afirmou Malucelli.

Hoje, aproximadamente 5% da base endereçável de corretores do Brasil já opera com a companhia, mas a ambição é crescer significativamente esse número nos próximos anos. Para isso, a seguradora investe em APIs, atendimento especializado, canais humanizados, plataformas digitais e suporte técnico para corretores em diferentes níveis de maturidade tecnológica.

A empresa afirma já manter mais de 50 parceiros integrados via API, permitindo emissões diretamente pelos sistemas dos próprios corretores. Em um mercado cada vez mais pressionado por velocidade e experiência, essa camada tecnológica passa a funcionar como diferencial competitivo.

Infraestrutura, obras paradas e o avanço do seguro garantia

Outro bloco importante da coletiva tratou do impacto do seguro garantia em infraestrutura pública.

Segundo Ketlyn Stefanovic, Diretora de Sinistros, o Brasil ainda enfrenta um gargalo expressivo de obras interrompidas. Dados citados durante o encontro apontam para mais de 11 mil obras federais paradas, representando bilhões de reais já investidos sem entrega efetiva à sociedade.

Neste contexto, ganha relevância o chamado seguro garantia com cláusula de retomada, modalidade capaz de permitir que a seguradora assuma a continuidade de uma obra caso o contratado original não consiga concluir o projeto.

A executiva destacou que a nova Lei de Licitações trouxe avanços importantes, criando mais clareza sobre matriz de risco, exigências técnicas e diligência ao longo da execução dos projetos.

Complementando essa visão, Eduardo Cruci, Diretor Técnico na seguradora, destacou que a evolução regulatória tende a elevar o nível de governança dos projetos públicos, reduzindo riscos de interrupção e aumentando a previsibilidade na execução das obras.

No fim da conversa, ficou uma impressão clara. Se antes seguro garantia era visto apenas como exigência burocrática, a nova fase do setor parece apontar para algo diferente: inteligência de risco, tecnologia e proteção operacional se tornando parte da estratégia de crescimento das empresas.

E, para a Junto Seguros, essa transformação parece estar apenas começando.

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