O Fórum E-Commerce Brasil, que será realizado de 28 a 30 de julho de 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo, chega à sua 17ª edição consolidado como um dos principais encontros mundiais sobre comércio eletrônico. Mais do que reunir grandes marcas e especialistas, o evento tornou-se um termômetro das transformações que vêm redefinindo marketing, tecnologia, dados e negócios digitais.
Em 2026, essa definição ficou pequena. A programação da nova edição mostra que o maior evento de e-commerce do mundo passou a refletir praticamente todas as transformações que estão redesenhando a economia digital: inteligência artificial, dados, retail media, marketplaces, creators, automação, branding, arquitetura tecnológica, internacionalização e novas experiências de consumo.
Não por acaso, a edição deste ano acontece em um momento em que as fronteiras entre marketing, tecnologia, operações e dados praticamente desapareceram.
Depois de reunir mais de 42 mil visitantes, 15.901 empresas, 12.705 executivos C-level, 334 expositores e gerar mais de R$ 2,3 bilhões em negócios em 2025, o Fórum chega ainda mais robusto em 2026, consolidando-se como um dos principais ambientes de conteúdo e geração de negócios do comércio digital global.
Segundo Bruno Pati, CEO do E-Commerce Brasil, o fortalecimento das pequenas empresas é uma das principais alavancas para o crescimento sustentável da economia digital brasileira.
“O pequeno empreendedor já ocupa um papel central no comércio eletrônico brasileiro, mas ainda enfrenta barreiras importantes quando falamos de acesso a relacionamento, mercado e oportunidades de negócio. Queremos usar a força do ecossistema do Fórum para reduzir essa distância e aproximar essas empresas de conexões que podem acelerar seu crescimento.”
Mas diante de dezenas de palcos e centenas de palestras, surge uma dúvida inevitável. Como montar uma agenda realmente estratégica?
Para Vivianne Vilela, diretora de conteúdo do E-Commerce Brasil, a construção do Fórum passa por um trabalho contínuo de curadoria e leitura de mercado.
“A curadoria das plenárias parte de uma leitura aprofundada do mercado. Nosso objetivo é trazer para os palcos principais discussões que ajudem a interpretar os movimentos macro do e-commerce, conectando tendências, desafios e decisões estratégicas que impactam diretamente a operação das empresas”, afirma.
Segundo ela, o papel das plenárias é organizar o pensamento do setor em torno de temas centrais.
“As plenárias são pensadas para trazer discussões mais estruturantes, que ajudam a entender os movimentos macro do mercado e apoiar executivos na tomada de decisão. O objetivo é garantir que o participante saia do evento não apenas com repertório, mas com direcionamento claro sobre como aplicar aquilo dentro da sua operação”, diz.
O Tudo Sobre CDP analisou a programação oficial e selecionou os temas que devem concentrar as discussões mais relevantes do evento.
Tiago Santos, General Manager da Danone Brasil
Um dos destaques da programação é a palestra “Muito além das vendas: como a Danone transformou o digital em sua vantagem competitiva”, com Tiago Santos, General Manager da Danone Brasil. A apresentação deve mostrar como o digital deixou de ser tratado apenas como canal comercial para se tornar uma plataforma estratégica de inteligência, inovação e crescimento.
Ao conectar dados, tecnologia e uma visão consumer & customer centric, a Danone traz para o debate um exemplo relevante de como grandes marcas podem usar o digital para antecipar mudanças de comportamento, fortalecer a tomada de decisão e construir novas fontes sustentáveis de expansão.
NVIDIA: como construir uma infraestrutura escalável para a era da IA
Outra palestra de grande relevância será “Cada token no lugar certo: a nova arquitetura da IA no varejo”, conduzida por Caian Benedicto, arquiteto de soluções da NVIDIA. A apresentação discutirá um dos principais desafios da nova geração de aplicações baseadas em inteligência artificial: como construir uma infraestrutura capaz de equilibrar desempenho, segurança, governança e custos em um cenário de crescimento acelerado do uso de agentes de IA e do consumo de tokens.
A expectativa é que a sessão ofereça uma visão prática sobre os critérios para distribuir cargas entre nuvem, infraestrutura própria e processamento local, ajudando empresas a desenvolver operações de IA mais eficientes, escaláveis e sustentáveis.
Nomad: a internacionalização dos serviços financeiros na era digital
Entre os executivos que sobem ao palco do Fórum E-Commerce Brasil 2026 está Lucas Vargas, CEO da Nomad. À frente de uma das fintechs que mais cresceram no segmento de soluções financeiras globais para brasileiros, o executivo deve compartilhar sua visão sobre os desafios de escalar negócios digitais em um mercado cada vez mais conectado e sem fronteiras.
Agentic Commerce: quando a inteligência artificial deixa de responder e passa a decidir
Se existe um conceito que deve dominar praticamente todas as conversas do Fórum, é o Agentic Commerce. A inteligência artificial está evoluindo rapidamente do papel de assistente para o de agente ativo nas jornadas de compra. Em vez de apenas recomendar produtos, esses sistemas passam a pesquisar, comparar alternativas, negociar condições e executar tarefas em nome do consumidor.
Entre os nomes que merecem atenção estão executivos do Google, Magazine Luiza e Samsung, além de especialistas que discutirão como arquiteturas de dados, automação e IA estão mudando a forma como empresas se relacionam com seus clientes.
A nova batalha pela descoberta dos produtos
Durante anos, o consumidor iniciava sua jornada no Google. Hoje, essa lógica mudou. A descoberta acontece simultaneamente em redes sociais, marketplaces, vídeos curtos, creators, buscadores baseados em IA e recomendações algorítmicas.
Essa transformação inspira uma das principais plenárias do Fórum, que parte de uma provocação instigante: a descoberta dos produtos foi “sequestrada” pelos algoritmos. A discussão reúne lideranças do Google, Nike, Coca-Cola, Meta e Nuvemshop para analisar como as marcas precisam reconstruir relevância em uma jornada cada vez menos linear.
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Marketplaces deixam de ser canais de venda e se tornam plataformas de mídia
Poucos movimentos transformaram tanto o varejo quanto a evolução dos marketplaces. Eles deixaram de ser apenas ambientes transacionais para se tornar ecossistemas completos de audiência, mídia, dados e monetização.
Ao reunir executivos de Mercado Livre, Amazon, Shopee, Magazine Luiza, Casas Bahia, TikTok Shop, Samsung e outras grandes plataformas, o Fórum evidencia que o debate já não gira apenas em torno de vendas, mas da construção de novas estratégias de Retail Media, social commerce, D2C e conveniência radical.
A recomendação é acompanhar esses debates com um olhar além da operação comercial. Eles ajudam a entender como dados proprietários e mídia passam a caminhar juntos na criação de novas fontes de receita.
Dados deixam de apoiar decisões para operar empresas
Existe um elemento comum entre praticamente todas as trilhas do Fórum: dados. Seja em inteligência artificial, marketplaces, retail media, personalização, logística ou automação, nenhuma dessas iniciativas funciona sem uma arquitetura moderna de dados.
Esse talvez seja o maior insight da programação de 2026. O evento demonstra que marketing já não pode discutir campanhas sem falar de tecnologia. Tecnologia já não pode discutir plataformas sem considerar experiência do cliente. E experiência do cliente tornou-se inseparável de dados, analytics e inteligência artificial.
É justamente essa convergência que explica a ascensão das Customer Data Platforms como camada estratégica para empresas que desejam operar jornadas realmente inteligentes.
O Fórum também será um ambiente para fechar negócios
Outra evolução importante desta edição é o fortalecimento das iniciativas voltadas à geração de negócios. A organização pretende movimentar mais de R$ 50 milhões em oportunidades comerciais por meio de uma estrutura composta por rodadas de negócios nacionais, o novo espaço Mundo Empreendedor, realizado em parceria com o Sebrae, e uma Rodada Internacional em conjunto com a ApexBrasil.
Para Bruno Pati, CEO do E-Commerce Brasil, as novas iniciativas refletem uma evolução natural do papel desempenhado pelo Fórum ao longo dos anos.
“O Fórum sempre foi um espaço onde o mercado se encontra para discutir tendências, compartilhar conhecimento e construir relacionamento. Agora estamos ampliando esse papel, criando mecanismos que transformam essas conexões em oportunidades concretas de negócios. Acreditamos que o desenvolvimento do ecossistema passa tanto pelo acesso ao conteúdo quanto pela capacidade de aproximar empresas, mercados e pessoas que podem gerar valor umas para as outras.”
Mais do que ampliar o networking, a proposta é conectar empresas com interesses reais de compra, inovação, expansão e internacionalização, aproximando executivos, fornecedores, investidores e compradores globais em agendas previamente estruturadas.
Esse movimento reforça uma mudança importante no posicionamento do Fórum: além de palco para tendências, ele passa a atuar como uma plataforma estruturada de desenvolvimento de negócios.
O principal palco talvez não esteja na programação
Existe um conceito que ainda aparece pouco nas discussões corporativas, mas que traduz perfeitamente o verdadeiro valor de grandes eventos como o Fórum E-Commerce Brasil: a serendipidade. É quando uma descoberta relevante acontece enquanto buscamos outra coisa, transformando uma conversa de corredor, um café ou uma palestra inesperada em uma oportunidade de negócio, uma parceria estratégica ou um insight capaz de mudar a direção de uma empresa.
Em um evento que reúne milhares de executivos, centenas de empresas e algumas das principais lideranças da economia digital, as palestras são apenas parte da experiência. As conexões inesperadas continuam sendo o ativo mais valioso. E talvez seja justamente nelas que estejam os insights capazes de definir os próximos capítulos do comércio digital brasileiro.
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