5 & 1 – Negócios sem Roteiro: Igor Zavorize, Head de Estratégia e Governança de Dados e IA na Sompo

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Igor Zavorize Head de Estratégia e Governança de Dados e IA na Sompo

Na série “5 & 1 – Negócios sem Roteiro”, conversamos com líderes que estão no centro das decisões que definem o rumo de seus mercados. Em cinco perguntas objetivas, exploramos visão, desafios e aprendizados. Na sexta, saímos do script para revelar o lado mais humano por trás da liderança.

Uma cultura orientada por dados não elimina o julgamento humano, ela o qualifica. Dados trazem contexto, reduzem vieses e tornam explícitos os trade-offs das decisões.

Em um mercado historicamente orientado por cálculos atuariais e previsibilidade de risco, os dados deixaram de ser apenas registros do passado para se tornarem patrimônio corporativo, alavanca de inovação e diferencial competitivo.

Head de Estratégia e Governança de Dados e IA na Sompo, Igor Zavorize combina experiência em finanças, M&A e estratégia para defender sua visão: tecnologia só faz sentido quando está conectada a geração de valor real, mitigação de riscos regulatórios e fortalecimento da governança. Democratizar dados, segundo ele, não é simplesmente ampliar acessos, mas estruturar escala com responsabilidade, rastreabilidade e ética.

Nesta edição do 5 & 1, exploramos como a maturidade em IA no setor de seguros passa menos pelo hype e mais por disciplina estratégica; como governança pode ser um habilitador de crescimento, e não um freio; e como tratar dados como ativos desde o “dia zero” pode redefinir integrações, experiências e resultados.

5 Perguntas de Negócios

1) Você tem um background forte em finanças e M&A. Como essa visão “de negócios e números” influencia sua abordagem na liderança de Dados e IA? O que muda quando o foco sai do puramente tecnológico para o valor patrimonial do dado?

Igor Zavorize:

Minha experiência em finanças me ensinou a olhar dados como ativos estratégicos, não apenas como insumos tecnológicos. Todo ativo tem custo de aquisição, custo de manutenção, risco associado e potencial de geração de valor; e com dados não é diferente.

Quando a liderança de Dados e IA parte dessa lógica, a conversa deixa de ser sobre ferramentas e passa a ser sobre resoluções de negócio, que envolvem quais decisões queremos melhorar, qual impacto financeiro esperamos e como mitigamos riscos regulatórios e reputacionais. A governança, nesse contexto, não é um freio, mas o mecanismo que protege e valoriza esse patrimônio ao longo do tempo.

Costumo dizer que democratizar dados não significa simplesmente liberar acesso, mas sim, estruturar para escalar com responsabilidade, garantindo qualidade, rastreabilidade, privacidade e alinhamento estratégico.

2) O consumidor de 2026 é mais autônomo e exige que o seguro se encaixe no seu estilo de vida, não o contrário. Como você enxerga o papel da inteligência de dados em transformar a ‘fricção’ do sinistro em uma jornada de acolhimento e resolução em tempo real?

Igor Zavorize:

O sinistro é, por definição, um momento sensível para o cliente. Por isso, a inteligência de dados contribui como ferramenta estratégica para reduzir incerteza, ansiedade e as possibilidades de retrabalho.

Na prática, isso significa os dados podem ser uma fonte valiosa para antecipar contextos, evitar perguntas redundantes e direcionar cada caso para o caminho mais eficiente desde o início. Processos automatizados cuidam do que é repetitivo. Isso permite que os especialistas da área de sinistros atuem nos momentos em que empatia e avaliação técnica são indispensáveis.

E quando tratamos de operações complexas de seguros corporativos, os dados históricos de sinistros também trazem informações que contribuem para estabelecer planos de gerenciamento de riscos, que vão ajudar a mitigar a probabilidade de novas ocorrências. Isso resulta em menos sinistros e mais eficiência no negócio do cliente.

Quando bem aplicada, a inteligência de dados contribui para que o sinistro seja uma jornada de acolhimento, com comunicação clara, decisões mais rápidas e maior previsibilidade. Tudo isso sustentado por governança, explicabilidade e respeito à privacidade, elementos essenciais em um setor altamente regulado como o de seguros.

3) Saindo do ‘hype’ da IA Generativa e indo para a prática: onde você enxerga os ganhos imediatos (quick wins) para o setor de seguros e como essa tecnologia pode evoluir da simples redução de custos para a criação de novas receitas, identificando lacunas de cobertura que o mercado ainda não atende?

Igor Zavorize:

Os ganhos imediatos da IA generativa no setor de seguros estão em áreas com grande volume de informação textual e regras bem definidas atuando na análise de documentos e suporte à decisão.

Esses casos trazem eficiência rapidamente, mas o verdadeiro desafio é escalar com segurança. Para isso, é fundamental separar usos individuais de produtividade de aplicações em processos críticos, que exigem políticas claras, governança ativa e controles de risco específicos para LLMs e agentes de IA.

Quando essa base está bem estabelecida, a IA deixa de ser apenas uma ferramenta de redução de custos e passa a apoiar criação de valor, identificação de lacunas de cobertura, ofertas mais contextuais e produtos mais aderentes ao perfil e ao momento do cliente. É nesse ponto que dados e IA começam a influenciar diretamente crescimento e receita.

4) Muitas empresas investem em tecnologia de dados e IA, mas poucas conseguem transformar isso em decisões melhores no dia a dia. Na sua experiência, qual é o principal desafio cultural para tornar uma organização verdadeiramente data-driven, especialmente em setores regulados como o de seguros?

Igor Zavorize:

O maior desafio não é tecnológico, é humano e organizacional. Tornar uma empresa verdadeiramente data-driven exige mudar a forma como as decisões são tomadas, questionadas e responsabilizadas.

Em ambientes regulados, como seguros, existe naturalmente uma preocupação legítima com risco, compliance e controle. O erro está em julgar que esses fatores são excludentes quando de fala de experimentação. O que não é verdade. Qualquer projeto em experimentação, para se concretizar em uma iniciativa transformadora de fato, deve considerar esses e muitos outros fatores.

Uma cultura orientada por dados não elimina o julgamento humano, ela o qualifica. Dados trazem contexto, reduzem vieses e tornam explícitos os trade-offs das decisões. Para isso funcionar, é fundamental que as pessoas confiem nos dados, façam as perguntas adequadas e aceitem revisar decisões à luz de novas evidências.

Governança tem um papel central nesse processo, não como um limitador, mas como um habilitador de confiança. Quando as pessoas sabem que os dados são confiáveis, explicáveis e usados de forma ética, elas passam a incorporá-los naturalmente na tomada de decisão. Esse é o ponto em que dados deixam de ser um projeto e passam a ser parte da cultura organizacional.

5) Em processos de M&A e integração de empresas, o legado de dados costuma ser uma das maiores dores de cabeça. Qual o segredo para tratar os dados como ativos estratégicos desde o “dia zero” de uma fusão ou nova estratégia de negócio?

Igor Zavorize:

O principal erro em processos de M&A é tratar dados como um problema técnico a ser resolvido depois. Dados precisam entrar no radar desde o início, como parte do valor estratégico da operação.

Desde o “dia zero”, é fundamental definir quais dados são críticos para operação, risco e tomada de decisão, quem é responsável por cada domínio e quais padrões mínimos de qualidade, segurança e privacidade são inegociáveis.

Integrações bem-sucedidas seguem uma lógica de ondas: primeiro garantir continuidade e compliance, depois harmonizar modelos e métricas, e só então escalar analytics e IA. Quando a governança está clara desde o início, a integração de dados deixa de ser um gargalo e passa a ser uma vantagem competitiva.

1 Pergunta Fora da Curva

Em um dia a dia cercado por algoritmos e decisões baseadas em dados, qual é o seu hábito mais ‘analógico’ ou aquele interesse pessoal que não tem lógica nenhuma, mas que é o que realmente recarrega suas baterias?

Igor Zavorize:

A melhor forma de me desconectar é estar próximo da minha família, gostamos muito de viajar juntos.

Mas, se eu tivesse que destacar um hábito mais analógico, seria tocar guitarra. É algo que carrego desde a juventude e que funciona como um verdadeiro refúgio, é uma atividade prazerosa, relaxante e completamente fora da lógica do dia a dia corporativo.

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