Como estruturar eventos e properties em analytics que respondem perguntas de negócio

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Guia prático para estruturar eventos e properties que respondem perguntas de negócio

Existe uma diferença clara entre empresas que “trabalham com dados” e aquelas que efetivamente usam dados para crescer.

Essa diferença não está nas ferramentas adotadas, nem no volume de dados coletados. Ela está na forma como essas empresas estruturam eventos e properties.

Na prática, é aqui que se define se analytics será um suporte operacional ou um motor real de crescimento.

O conceito é simples. A execução é tudo.

No nível mais básico:

  • Eventos representam o que aconteceu;
  • Properties explicam o contexto desse acontecimento;

Até aqui, nada novo. O problema é que a maioria das empresas para nesse entendimento superficial, que é exatamente o principal motivo para conseguirem evoluir.

Porque eventos e properties não são um conceito técnico. São uma decisão de modelagem do negócio em forma de dados.

Eventos não são cliques. São momentos de valor.

Um dos erros mais comuns é tratar eventos como logs de interface. Clique, scroll, hover. Isso é ruído.

Empresas mais maduras fazem uma pergunta diferente: quais são os momentos que realmente importam na jornada?

E passam a modelar eventos como:

  • Início de checkout;
  • Conclusão de onboarding;
  • Primeiro momento de valor;
  • Uso recorrente de uma funcionalidade-chave.

Ou seja, eventos deixam de ser ações isoladas e passam a representar etapas críticas da experiência.

Properties: onde o dado deixa de ser volume e vira inteligência

Sem properties, você conta eventos. Com properties, você entende comportamento.

Uma compra, isoladamente, é apenas um número. Mas quando você adiciona contexto, ela se transforma em algo analisável:

  • Canal de origem;
  • Método de pagamento;
  • Categoria de produto;
  • Perfil do usuário;

É nesse ponto que a análise deixa de ser descritiva e começa a ser estratégica.

Porque você deixa de perguntar “o que aconteceu” e passa a entender “por que aconteceu”.

O erro que mais custa caro: complexidade no lugar errado

Existe um padrão recorrente em empresas de todos os tamanhos.

Elas criam:

  • Centenas de eventos;
  • Nomenclaturas inconsistentes;
  • Estruturas impossíveis de escalar;

E, ao mesmo tempo, deixam de investir onde realmente importa: na qualidade e consistência das properties.

O resultado é previsível: muitos dados e pouca resposta.

O verdadeiro salto de maturidade

Empresas iniciantes perguntam: “quais eventos precisamos trackear?”

Empresas mais maduras perguntam: “quais decisões precisamos tomar?”

Essa inversão muda tudo. Porque eventos e properties passam a ser desenhados de trás para frente, a partir das perguntas de negócio.

Quando isso começa a funcionar de verdade

É aqui que o jogo muda.

Com uma estrutura bem definida, você consegue responder perguntas como:

  • Quais canais geram usuários com maior LTV;
  • Qual combinação de produto + preço + pagamento maximiza conversão;
  • Quais comportamentos indicam retenção ou risco de churn;
  • Quais features realmente movem o engajamento.

E mais importante: você responde isso sem depender de ciclos longos de BI ou consultas manuais.

O impacto invisível em todo o ecossistema

Eventos e properties não vivem isolados. Eles alimentam:

  • CDPs;
  • CRM;
  • Motores de personalização;
  • Campanhas de mídia;
  • Testes e experimentação.

Se a base está mal estruturada, todo o restante herda o problema. Segmentações ficam imprecisas, personalizações não escalam, mídia perde eficiência e a empresa passa a operar com uma falsa sensação de maturidade.

Conclusão

Eventos e properties parecem um detalhe técnico, mas, na prática, são uma das decisões mais estratégicas de toda a arquitetura de dados.

Empresas que tratam isso como implementação acabam presas em relatórios.

Empresas que tratam isso como modelagem de negócio constroem vantagem competitiva.

No fim, a diferença não está no quanto você mede. Está no quanto você consegue entender, e agir, a partir do que mede.

Leia também: Identity Graph: como combinar identidade determinística e probabilística para viabilizar o marketing omnichannel

Material de Apoio

Guia Prático: como estruturar Eventos e Properties que respondem perguntas de negócio

1. Princípio base: eventos descrevem ação, properties dão contexto

Antes de nomear:

  • Evento = o que aconteceu
  • Property = detalhes do contexto dessa ação

Exemplo simples:

  • Evento: checkout_started
  • Properties: payment_method, cart_value, user_type

Se misturar isso, seu tracking vira bagunça rápido.

2. Padrão recomendado para nomes de eventos

Aqui é onde muita empresa erra. Use sempre:

verbo + objeto + (contexto opcional)

Exemplos bons:

  • product_viewed
  • checkout_started
  • payment_failed
  • account_created
  • search_performed
  • loan_simulation_completed

Evite:

  • click_button (genérico demais)
  • step1, event123 (inútil pra negócio)
  • checkout (não diz o que aconteceu)

3. Estrutura por jornada (isso muda o jogo)

Organize seus eventos por etapas do funil/jornada:

Aquisição

  • landing_page_viewed
  • signup_started
  • signup_completed

Ativação

  • onboarding_started
  • onboarding_completed
  • first_transaction_completed

Engajamento

  • feature_used
  • search_performed
  • notification_clicked

Monetização

  • checkout_started
  • payment_completed
  • subscription_activated

Retenção

  • session_started
  • app_opened
  • user_returned

Isso te permite construir funnels e cohorts sem esforço depois.

4. Padrão para Properties (aqui mora a inteligência)

Properties devem responder:

  • Quem? → user_id, user_type
  • Onde? → page, screen, channel
  • O quê? → product_id, category
  • Como? → payment_method, device
  • Quanto? → value, quantity

Exemplos:

Evento: payment_completed

Properties:

  • payment_method: pix
  • transaction_value: 250
  • installments: 1
  • product_category: insurance

5. Naming conventions (padrão que evita caos)

Defina regras claras:

  • lowercase sempre: checkout_started
  • usar underscore _, nunca espaço
  • sem acento
  • inglês (padrão global e escalável)
  • evitar abreviações obscuras

6. Erros clássicos (evite isso a todo custo)

  • Criar eventos duplicados com nomes diferentes (checkout_start vs checkout_started);
  • Colocar informação no nome em vez de property (payment_pix_success);
  • Não versionar mudanças (quebra histórico);
  • Não documentar (ninguém sabe o que é o quê).

7. Exemplos prontos (contexto banco digital / varejo)

Banco (tipo Cora)

  • account_opening_started
  • account_approved
  • pix_transfer_completed
  • loan_requested
  • loan_approved

Properties:

  • company_size
  • monthly_revenue_range
  • transaction_value

Varejo farmacêutico (Pague Menos)

  • product_viewed
  • add_to_cart
  • checkout_started
  • prescription_uploaded
  • purchase_completed

Properties:

  • product_category
  • is_prescription_required
  • store_type: online | physical
  • delivery_type: pickup | delivery

8. Nível avançado (isso te diferencia)

Se quiser jogar em nível alto (e isso conecta com GEO, IA e produto):

  • crie eventos baseados em intenção, não só ação
    Ex: high_intent_product_viewed
  • adicione propriedades de qualidade da experiência
    Ex: error_type, latency_ms
  • inclua contexto de jornada
    Ex: step_number, funnel_stage

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