5 & 1 – Negócios sem Roteiro: Inteligência Climática, Dados e Gestão de Negócios

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Inteligência climática dados e gestão de negócios

A série “5 & 1 – Negócios sem Roteiro” traz conversas rápidas com líderes que estão no centro das decisões de negócio. Em cinco perguntas objetivas, exploramos visão estratégica, desafios e aprendizados. Na sexta, saímos do script para revelar o lado mais humano por trás da liderança.

“A comunicação meteorológica deixa de ser apenas informativa e passa a ser um insumo crítico de gestão de risco, continuidade operacional e performance de ativos.”
Caetano Mancini, Head de Marketing e Comunicação na Climatempo

No centro da transformação dos negócios impulsionada por dados, tecnologia e inteligência artificial está a capacidade de conectar estratégia, marca e execução de forma consistente. É nesse contexto que se destaca a atuação de Caetano Mancini, Head de Marketing e Comunicação na Climatempo, maior empresa privada de meteorologia da América Latina.

Antes de assumir sua posição atual, Caetano atuou como meteorologista no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), onde integrou o Grupo de Previsão do Tempo (GPT) e trabalhou com análises e comunicação científica. Essa formação técnica e experiência sólida em meteorologia sustentam sua visão diferenciada sobre o valor dos dados e da informação climática como ativos estratégicos para marcas e negócios.

Na Climatempo, Caetano lidera um hub estratégico orientado por dados que conecta branding, conteúdo, CRM e produtos digitais a múltiplos modelos de negócio, da mídia B2C à tecnologia B2B e inteligência climática aplicada à tomada de decisões. Sua atuação estratégica inclui a condução de iniciativas de RevOps, Growth, Account-Based Marketing, expansão LATAM e monetização digital, além de reforçar o papel do marketing como elo entre reputação, performance e resultados concretos de negócio.

Caetano também é porta-voz institucional da Climatempo, participando de debates e eventos sobre marketing, mudanças climáticas, sustentabilidade e ESG, sempre enfatizando a importância de integrar dados, tecnologia e comunicação para gerar impacto real nas empresas e na sociedade.

5 Perguntas de Negócios

1) Como a sua formação em meteorologia influencia a forma como você lidera estratégias de marketing orientadas por dados e tecnologia?

“A meteorologia constrói uma mentalidade naturalmente analítica, estruturada e orientada à evidência, algo fundamental para qualquer estratégia de marketing guiada por dados e tecnologia.”

Caetano:

Tenho duas formações que se complementam diretamente na forma como eu penso e lidero o marketing estratégico. A meteorologia é uma formação extremamente técnica, acadêmica e orientada à inovação. Por ser uma área de exatas, constrói bases muito sólidas em matemática, física e estatística, além de uma forte cultura de investigação científica orientada por dados.

Durante a graduação, participei ativamente de projetos de iniciação científica, o que desenvolveu não apenas a capacidade analítica, mas também o senso de investigação, curiosidade, pensamento crítico e autonomia para resolver problemas complexos.

Essa formação cria uma mentalidade naturalmente analítica, estruturada e orientada à evidência, algo que considero fundamental para qualquer estratégia de marketing guiada por dados e tecnologia.

Já a minha segunda formação, em Engenharia de Produção, trouxe uma visão mais macro e generalista, complementando essa base técnica. Ela aprofundou temas como otimização de processos, eficiência operacional, planejamento, gestão de projetos, metodologias de gestão, métricas, precificação, economia e uma visão sistêmica de negócios.

A combinação dessas duas formações me permite atuar no marketing de forma estratégica, conectando dados, tecnologia e inovação com eficiência, resultado e impacto real no negócio.

Por fim, complementei essa trajetória com duas pós-graduações, uma em Marketing Digital e outra em Gestão de Marketing, que trouxeram uma camada prática e aplicada ao meu repertório, conectando estratégia e execução no dia a dia do marketing.

2) Em um cenário de eventos climáticos cada vez mais extremos, de que forma a comunicação meteorológica pode contribuir para decisões mais conscientes no dia a dia das pessoas, desde mobilidade até saúde e segurança?

“As mudanças climáticas já têm custo real, recorrente e mensurável, incorporar a variável climática ao planejamento deixou de ser opção e virou exigência de governança.”

Caetano:

Em um cenário de eventos climáticos extremos, a comunicação meteorológica deixa de ser apenas informativa e passa a exercer um papel estratégico na gestão, na performance e na sustentabilidade dos negócios.

Do ponto de vista empresarial, ela evolui de suporte operacional para um insumo crítico de gestão de risco, continuidade operacional, planejamento financeiro e performance de ativos. Em última instância, responde a uma questão central para conselhos e executivos: os ativos vão entregar o que foi concebido no planejamento?

Eventos extremos impactam diretamente infraestruturas essenciais e cadeias produtivas. Tempestades severas podem derrubar torres de transmissão elétrica, gerar interrupções de fornecimento, custos elevados de reconstrução e penalidades regulatórias. Estiagens prolongadas no Norte do país reduzem a navegabilidade de corredores logísticos como o Tapajós, forçando a migração do transporte de grãos para modais mais caros e pressionando custos em toda a cadeia até os portos do Sudeste. Ondas de calor afetam a integridade de trilhos e a mobilidade urbana, enquanto queimadas e poeira em suspensão reduzem a eficiência de ativos de geração solar.

No setor de energia, o impacto é ainda mais direto. Parques eólicos são concebidos a partir de séries históricas de vento e premissas como curvas de potência e fatores de capacidade. Com as mudanças climáticas, cresce o risco de uma volatilidade estrutural do recurso, com alterações na distribuição do vento, na sazonalidade e na frequência de eventos extremos, afetando geração, previsibilidade de receita e capacidade de cumprimento contratual.

Nesse contexto, uma comunicação meteorológica estruturada, integrada a monitoramento contínuo, previsão e modelagem climática, permite ajustar expectativas, planejar manutenção, otimizar disponibilidade e incorporar incertezas climáticas de forma explícita na gestão de risco e no planejamento financeiro.

Essa lógica se estende a diversos setores intensivos em capital e operação. Na mineração, previsões acionáveis reduzem paradas, melhoram o planejamento logístico e mitigam riscos geotécnicos e operacionais. Em plataformas de petróleo, a meteorologia é determinante para definição de janelas operacionais, segurança de equipes, integridade de ativos e decisões de interrupção ou continuidade, onde falhas têm custos elevados e impactos relevantes.

O efeito também é comercial. No varejo e na indústria, condições climáticas influenciam diretamente demanda, produção e abastecimento. Ondas de calor impulsionam determinadas categorias, enquanto ondas de frio e variações bruscas de temperatura alteram padrões de consumo e pressionam cadeias de suprimento. Quando a informação climática é bem comunicada e integrada à tomada de decisão, ela melhora previsibilidade, reduz rupturas, otimiza estoques e aumenta eficiência operacional.

Diante desse cenário, a comunicação meteorológica precisa transformar dados climáticos complexos em informação acionável, permitindo decisões mais robustas no curto, médio e longo prazo, com impacto direto na redução de riscos, na proteção de ativos e na resiliência dos negócios.

As mudanças climáticas já têm custo real, recorrente e mensurável. Incorporar a variável climática ao planejamento estratégico e financeiro deixou de ser uma opção e passou a ser uma exigência de governança. A comunicação meteorológica evolui, assim, de “previsão do tempo” para inteligência climática aplicada, com impacto direto em custo, receita, risco e sustentabilidade empresarial.

3) Como a evolução tecnológica, especialmente IA e automação, pode ajudar a democratizar ainda mais o acesso à informação climática de qualidade?

“IA não corrige dados ruins, apenas escala o problema.”

Caetano:

A evolução da IA e da automação permite que a informação climática deixe de ser apenas uma previsão tradicional e passe a ser um instrumento direto de decisão. A lógica deixa de ser “qual é o fenômeno” e passa a ser “qual é a previsão e quais são os cenários de impacto na minha operação”.

O verdadeiro valor da tecnologia está em transformar dados complexos em respostas simples e relevantes: o que pode acontecer, quais são os riscos associados e quais decisões precisam ser consideradas. IA e automação atuam como uma camada inteligente que interpreta a informação climática e a traduz em cenários práticos de impacto, sem exigir que o usuário tenha conhecimento técnico ou dependa da contextualização de um especialista.

Isso democratiza o acesso à informação de qualidade porque entrega alto valor agregado em escala. Pessoas, empresas e gestores passam a receber exatamente o que é relevante para sua realidade, seja para planejar uma rotina, proteger um ativo, ajustar uma operação ou mitigar riscos.

O futuro está em integrar esse alto valor agregado a toda a cadeia, do planejamento estratégico à operação diária, da gestão de risco ao resultado financeiro. Quanto mais a informação climática estiver integrada aos processos de decisão, mais resilientes, eficientes e preparados estarão indivíduos, empresas e cidades para lidar com um cenário climático cada vez mais desafiador.

4) No B2B, como a Climatempo transforma dados climáticos em soluções de alto valor para setores como energia, agronegócio, logística e seguros?

“Transformar clima em vantagem competitiva é apoiar escolhas que geram impacto real no negócio.”

Caetano:

No B2B, a Climatempo não entrega apenas dados ou previsões climáticas, entrega decisão. O nosso foco é transformar informação climática complexa em soluções de alto valor, diretamente conectadas aos processos críticos de cada setor.

Isso começa pelo entendimento profundo do negócio do cliente. Cada setor sente o impacto do clima de forma diferente: na energia, o foco está em performance de ativos, previsibilidade de geração, otimização de operação e manutenção de ativos e sustentabilidade operacional; no agro, em produtividade, janela de plantio e colheita, gestão de risco; na logística, em fluidez operacional, segurança e custo; e nos seguros, em avaliação de risco, precificação e resposta a eventos extremos.

A partir disso, estruturamos soluções que integram dados climáticos, monitoramento contínuo e inteligência aplicada para responder perguntas práticas: qual é o impacto esperado, onde estão os riscos e quais decisões precisam ser tomadas agora. O cliente não precisa interpretar mapas ou gráficos, recebe cenários de impacto, alertas acionáveis e suporte direto à tomada de decisão.

Além disso, nossas soluções são pensadas para escalar ao longo da cadeia de valor do cliente, do planejamento estratégico à operação diária. Isso permite reduzir perdas, aumentar eficiência, proteger ativos e pessoas e incorporar o risco climático de forma explícita na gestão financeira e operacional.

Em setores como seguros, por exemplo, essa abordagem viabiliza melhor avaliação de exposição, prevenção de sinistros e resposta mais rápida a eventos extremos. Em energia, logística e agro, significa maior previsibilidade, resiliência e eficiência em ambientes cada vez mais voláteis.

No fim, o diferencial da Climatempo está em transformar clima em vantagem competitiva, não apenas informando sobre o que vai acontecer, mas apoiando decisões que geram impacto real no negócio.

5) De que forma a expansão internacional influencia o desenho dos produtos, modelos comerciais e estratégias de go-to-market da Climatempo?

“A internacionalização não é apenas consequência do crescimento, é um pré-requisito para maturidade, eficiência e escala sustentável.”

Caetano:

A expansão internacional exige que a Climatempo pense produtos, modelos comerciais e estratégias de GTM desde a origem com uma lógica global, mas adaptável a realidades locais.

Do ponto de vista de produto, isso significa desenhar soluções modulares, escaláveis e flexíveis, capazes de atender diferentes mercados, regulações e níveis de maturidade, sem perder consistência técnica e qualidade. O foco deixa de ser apenas entregar informação climática e passa a ser resolver problemas de negócio que são comuns globalmente, mas se manifestam de formas diferentes em cada região.

Nos modelos comerciais, a atuação internacional reforça a necessidade de ofertas claras, orientadas a valor e alinhadas à cadeia de decisão do cliente. Setores como energia, agro, logística e seguros enfrentam desafios climáticos em múltiplos países, o que exige contratos, SLAs e propostas que suportem operações distribuídas, diferentes moedas, estruturas regulatórias e expectativas de serviço.

Já na estratégia de GTM, a expansão internacional demanda foco e disciplina. Nem todos os mercados exigem o mesmo nível de personalização, e nem todos os clientes compram da mesma forma. Isso implica adaptar canais, parcerias, posicionamento e narrativa, mantendo uma proposta de valor consistente: transformar informação climática em decisão, performance e resiliência.

A internacionalização contribui para elevar ainda mais o nosso nível de maturidade organizacional. Produtos mais robustos, modelos comerciais mais claros e estratégias de mercado mais eficientes não são apenas consequência da expansão, são pré-requisitos para crescer de forma sustentável em escala global.

1 Pergunta Fora da Curva

Olhando para o futuro, o que mais te deixa otimista e o que mais te preocupa quando falamos do impacto da IA nos negócios e na sociedade?

“O diferencial competitivo do futuro não estará apenas na tecnologia, mas na responsabilidade, na cultura e na governança com que ela é aplicada.”

Caetano:

O que mais me deixa otimista é o potencial da IA de ampliar o acesso à informação, ao conhecimento e à tomada de decisão de qualidade em escala. Quando bem utilizada, ela reduz barreiras técnicas, acelera processos, aumenta produtividade e amplia a capacidade humana de análise. Não se trata de substituir profissionais, mas de potencializá-los. Cada vez mais veremos profissionais que sabem usar IA de forma crítica e responsável e outros que não usam e essa diferença tende a se refletir diretamente em performance, competitividade e empregabilidade.

Ao mesmo tempo, minhas principais preocupações não estão na tecnologia em si, mas na forma como ela é adotada. Existem riscos relevantes de uso acrítico, decisões automatizadas sem governança, problemas de compliance, exposição indevida de dados e informações estratégicas, além de decisões baseadas em insumos de baixa qualidade. O princípio de garbage in, garbage out continua válido: IA não corrige dados ruins, apenas escala o problema.

Outro ponto de atenção é a automação sem critérios claros, transparência e supervisão humana. Sem entendimento dos limites da tecnologia, a IA pode amplificar vieses, gerar erros sistêmicos, aumentar assimetrias entre quem domina a tecnologia e quem apenas a consome e criar riscos reputacionais relevantes para empresas e instituições.

Por isso, a discussão central não é se a IA vai transformar os negócios e a sociedade, isso já está acontecendo, mas como ela será integrada aos processos de decisão. O futuro mais promissor passa por uma IA como ferramenta de apoio, com governança, ética e responsabilidade, e não como substituta do senso crítico humano.

No fim, acredito que a IA será tão positiva quanto a maturidade das decisões que tomarmos sobre seu uso. Na minha visão, o verdadeiro diferencial competitivo e social não estará apenas na tecnologia, mas na responsabilidade, na cultura e na governança com que ela for aplicada.

A conversa com Caetano Mancini deixa claro que, no contexto atual, dados, tecnologia e inteligência artificial só geram valor real quando conectados a decisões, governança e impacto concreto no negócio e na sociedade. Sua trajetória, que une ciência, engenharia e marketing, traduz de forma prática um novo perfil de liderança, capaz de transformar informação complexa em vantagem competitiva.

Ao longo da entrevista, fica evidente que a meteorologia deixou de ser apenas previsão e passou a ocupar um papel central na gestão de risco, na performance operacional e no planejamento estratégico de empresas e governos. Na Climatempo, essa visão se materializa em soluções que vão além do dado bruto, entregando inteligência climática aplicada à tomada de decisão, em escala e com impacto mensurável.

Mais do que falar sobre tecnologia, Caetano aponta para um tema essencial: maturidade. Seja na adoção da IA, na expansão internacional ou na comunicação climática, o diferencial não está apenas nas ferramentas, mas na forma como elas são integradas aos processos, à cultura organizacional e à responsabilidade com que são utilizadas.

No fim, a entrevista reforça uma mensagem clara: o futuro pertence às organizações que conseguem transformar dados em decisões melhores, tecnologia em eficiência real e informação em impacto positivo para negócios, pessoas e sociedade.

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