Web Summit Rio 2026: entre creators, IA e mídia, o desafio é construir conexões duradouras

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Em um momento em que a atenção se tornou um dos ativos mais valiosos da economia digital, o Web Summit Rio 2026 revelou como temas aparentemente distintos, como inteligência artificial, creator economy, mídia e marketing, convergem para um mesmo desafio: construir conexões relevantes e duradouras com audiências cada vez mais fragmentadas.

Ao longo dos três dias de evento, executivos, empreendedores, criadores de conteúdo e representantes de grandes marcas discutiram uma questão comum: como gerar valor em um ambiente marcado pela multiplicação de telas, plataformas e formatos de consumo?

Sob diferentes perspectivas, os debates passaram pela ascensão da IA, pela evolução da creator economy, pelas transformações da televisão e pelas mudanças nos hábitos de consumo de informação e entretenimento. Apesar da diversidade de temas, uma mensagem se repetiu em diversos palcos: compreender como as pessoas se informam, se relacionam e interagem com conteúdos e experiências continua sendo um dos principais desafios para empresas e marcas em uma era de abundância de informação e disputa permanente pela atenção.

Creator economy, autenticidade e a disputa pela atenção

A creator economy continua entre os temas mais presentes do Web Summit Rio 2026. Criadores de conteúdo, plataformas e marcas discutem não apenas novos modelos de monetização, mas também a construção de comunidades, a diversificação de receitas e os desafios de manter relevância em um ambiente em que tendências, formatos e comportamentos se transformam em ritmo acelerado. Em um ecossistema cada vez mais competitivo, a disputa já não acontece apenas pela audiência, mas pela capacidade de gerar identificação, confiança e engajamento contínuo.

Um dos debates mais aguardados do primeiro dia, “The Polished Feed Is Dead”, reuniu Fábio Porchat, Juliette, Rodrigo Moran, líder global de criatividade da família de aplicativos da Meta, e a jornalista Maria Prata para discutir as mudanças no consumo de conteúdo e o crescente esgotamento dos formatos excessivamente produzidos. O próprio título do painel sintetizava uma das teses mais presentes ao longo do evento: se o conteúdo parece publicidade, o público simplesmente o ignora.

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Participaram Fábio Porchat, comediante e co-fundador do Porta dos Fundos, Rodrigo Moran, Global Head of Creative da família de aplicativos da Meta, e a cantora, influenciadora e empresária Juliette Freire. A mediação ficou para a jornalista Maria Prata.

A conversa evidenciou uma mudança que já começa a impactar estratégias de marketing e comunicação. Em meio à abundância de conteúdo, proximidade, espontaneidade e identificação cultural passam a ser ativos cada vez mais valiosos na construção de relacionamento com as audiências. Em vez de buscar apenas alcance, marcas e plataformas vêm direcionando esforços para criar comunidades mais engajadas e relações de longo prazo.

Essa transformação ficou evidente também na composição dos palestrantes do Web Summit Rio 2026. Personalidades do entretenimento, do esporte e da comunicação dividiram espaço com executivos das principais empresas de tecnologia do mundo. Atletas como Rebeca Andrade, nomes da televisão, jornalistas, criadores de conteúdo e líderes de grandes plataformas reforçaram como as fronteiras entre mídia, influência, esporte e negócios se tornaram cada vez mais fluidas.

Rebeca Andrade destaca a importância da disciplina e da consistência na busca pela excelência

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Rebeca Andrade, ginasta e maior medalhista olímpica na história do Brasil

Em meio às discussões sobre inteligência artificial, inovação e transformação digital, a participação de Rebeca Andrade trouxe uma perspectiva mais humana para o Web Summit Rio 2026. A maior medalhista olímpica na história do Brasil compartilhou reflexões sobre superação, disciplina e a construção da alta performance, temas que ultrapassam o universo esportivo e encontram paralelos no ambiente empresarial.

Durante sua apresentação, a ginasta ressaltou que os resultados são consequência de um trabalho contínuo e de longo prazo. “Não existe resultado sem processo”, afirmou. Em outro momento, Rebeca chamou atenção para tudo o que acontece longe dos holofotes. “As pessoas veem a medalha, mas existe muito trabalho por trás”, disse.

Suas declarações reforçaram uma das mensagens que atravessaram diferentes painéis do evento: em um cenário marcado pela velocidade das transformações tecnológicas, excelência e inovação continuam sendo construídas a partir de consistência, disciplina e capacidade de adaptação. Mais do que atalhos, a alta performance é resultado de processos, aprendizado contínuo e da capacidade de evoluir ao longo do tempo.

Quando a IA torna os humanos mais valiosos

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James Lo, CEO da Ethos

Uma das reflexões mais interessantes da programação veio de James Lo, CEO da Ethos, na palestra “Making humans irreplaceable”.

Sob o tema “Why AI is making human expertise more valuable, not less”, o executivo defendeu uma visão diferente daquela que costuma dominar as discussões sobre inteligência artificial. Em vez de substituir pessoas, a IA tende a ampliar o valor das capacidades humanas.

Segundo Lo, à medida que tarefas operacionais se tornam automatizadas, características como pensamento crítico, criatividade, empatia, julgamento e experiência prática passam a ser ainda mais importantes.

A mensagem vai na contramão das previsões mais alarmistas e sugere que a vantagem competitiva das organizações dependerá cada vez mais da combinação entre tecnologia e talento humano.

Conexões humanas e escuta ativa: a visão da Heineken para a inovação

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Cecília Bottai Mondino, VP de Marketing do Grupo HEINEKEN no Brasil, durante apresentação no Center Stage

A participação da Heineken no Web Summit Rio 2026 evidenciou como grandes marcas de consumo vêm reinterpretando a inovação a partir das mudanças de comportamento dos consumidores. No Center Stage, Cecília Bottai Mondino, vice-presidente de Marketing do Grupo Heineken no Brasil, apresentou a Heineken® Ultimate, novo rótulo global da companhia que chega primeiro ao mercado brasileiro. A novidade amplia o portfólio da marca ao atender consumidores que buscam maior equilíbrio entre bem-estar e momentos de socialização. A cerveja é uma lager sem glúten, com 97 calorias, cerca de 30% menos calorias do que a Heineken® tradicional e teor alcoólico reduzido de 3,5%, mantendo as características de sabor associadas à marca.

Em publicações recentes, Cecília Bottai destacou que “nosso papel no marketing é ver e ouvir o que as pessoas estão buscando” e afirmou que existe uma demanda crescente por “equilíbrio e bem-estar também nos momentos de socialização”. Segundo a executiva, a Heineken® Ultimate nasce exatamente para atender esse novo comportamento. “Agora nosso portfólio está completo. Da 0.0 à Ultimate, com a nossa verdinha de sempre. É a liberdade de escolher o que faz sentido para cada momento”, afirmou. A executiva também celebrou o fato de o Brasil liderar o lançamento global do produto, classificando a iniciativa como resultado de “colaboração, coragem e muita paixão pelo que fazemos”.

NVIDIA aponta que a próxima fase da inteligência artificial será marcada pelos agentes autônomos

Márcio Aguiar, diretor executivo da NVIDIA para a América Latina

A evolução da inteligência artificial e seus impactos sobre os negócios esteve entre os temas centrais do Web Summit Rio 2026. Durante sua participação no evento, Márcio Aguiar, diretor executivo da NVIDIA para a América Latina, defendeu que o mercado já começa a entrar em uma nova etapa da tecnologia, caracterizada pelo avanço dos chamados agentes inteligentes.

“A próxima onda da IA já começou”, afirmou o executivo. Segundo Aguiar, o setor está vivendo uma transição da inteligência artificial generativa para a chamada IA agêntica, modelo no qual sistemas autônomos passam a executar tarefas, tomar decisões e interagir de maneira mais sofisticada.

O executivo destacou, porém, que a adoção da tecnologia não depende apenas de infraestrutura e capacidade computacional. “O importante é começar com a mudança de mentalidade”, disse. Para ele, a implementação da IA exige uma transformação que vai além dos aspectos técnicos. “A adoção da IA envolve uma transformação cultural dentro das empresas”, acrescentou.

A visão apresentada pela NVIDIA refletiu uma das mensagens mais recorrentes do Web Summit Rio 2026: a inteligência artificial está deixando para trás a fase de experimentação e hype para entrar em um momento de aplicações práticas e geração de resultados, exigindo das organizações não apenas investimentos em tecnologia, mas também uma revisão de processos, competências e modelos de trabalho.

Leia também: Na era da IA, NVIDIA aposta em educação e posiciona desenvolvedores no centro da estratégia

Google Cloud confirma nova edição do Capacita+

Durante o Web Summit Rio 2026, o Google Cloud anunciou a ampliação de seu compromisso com a formação de talentos em inteligência artificial e computação em nuvem no país.

Após estabelecer a meta de capacitar 1 milhão de brasileiros em 2025, a companhia triplicou o objetivo e pretende preparar 3 milhões de pessoas nos próximos anos.

Como parte da iniciativa, a empresa também confirmou uma nova edição do Capacita+, programa que pretende treinar 200 mil brasileiros em um único dia, reforçando a aposta do Google na formação de profissionais para a chamada era dos agentes de IA.

“No Google Cloud, nosso objetivo é sermos o parceiro ideal da sociedade para desenvolver o futuro do trabalho no Brasil e na América Latina, facilitando a conexão entre talentos e empresas. Estamos preparando a próxima geração de talentos com as ferramentas que já estão moldando o mercado de trabalho atual e, por isso, triplicamos nosso compromisso com o país e estamos renovando o Capacita+”, destaca Milena Leal, Country Manager Google Cloud no Brasil. 

O Google Cloud continuará capacitando a força de trabalho brasileira com diversos programas de treinamento, incluindo cursos gratuitos e em português disponíveis no YouTube, certificações por meio da plataforma Google Skills e suporte da comunidade Google Developer Groups.

Curso gratuito no Google: Generative AI Leader Certification

Claro aposta em GPU sob demanda para democratizar o acesso à inteligência artificial

Rodrigo Duclos, Chief Innovation & Digital Officer na Claro

Entre os anúncios realizados durante o Web Summit Rio 2026, a Claro apresentou uma iniciativa voltada para ampliar o acesso à infraestrutura necessária para o desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial. A companhia lançou sua oferta de GPU as a Service, modelo que permite a empresas e startups contratar apenas a capacidade computacional necessária para cada projeto, eliminando a necessidade de grandes investimentos iniciais em hardware.

Segundo Rodrigo Assad, diretor de Inovação e Produtos B2B do beOn Claro, uma das principais barreiras para a adoção da IA está justamente no modelo tradicional de comercialização das GPUs. “Muitas empresas acabam adquirindo 100% da capacidade e, em muitos casos, utilizam apenas uma fração, especialmente nas fases iniciais dos projetos”, explicou.

Com a nova oferta, a Claro passa a disponibilizar consumo fracionado de GPUs, permitindo que as organizações iniciem provas de conceito com menor investimento e ampliem a capacidade conforme a evolução das aplicações. A iniciativa busca atender desde startups até grandes corporações e órgãos públicos.

“A Inteligência Artificial já é um fator de competitividade para qualquer empresa, mas o alto custo de acesso à infraestrutura necessária ainda limita sua adoção nas menores”, afirmou Roberta Godoi, CEO da Claro empresas para PMEs. “Com este lançamento, estamos colocando à disposição das pequenas e médias empresas as mesmas ferramentas utilizadas pelas grandes corporações.”

Para Mário Rachid, diretor-executivo de Soluções Digitais da Claro, o modelo combina flexibilidade, escalabilidade e previsibilidade financeira, permitindo que as empresas consumam exatamente a capacidade de processamento necessária em cada etapa da jornada em IA.

O anúncio reforça a estratégia da operadora de se posicionar como um dos principais players do ecossistema de cloud e inteligência artificial na América Latina. Primeira parceira NVIDIA Cloud Partner (NCP) da região, a Claro também destacou iniciativas voltadas à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico em parceria com a USP e a FAPESP, além da oferta de modelos de linguagem e serviços de plataforma para acelerar a adoção da IA no mercado brasileiro.

Neil Patel aponta o fim da era do clique e a ascensão da influência

Neil Patel, uma das principais referências globais em SEO

Um dos nomes mais aguardados da trilha de Marketing do Web Summit Rio 2026, Neil Patel trouxe uma provocação que chamou a atenção dos profissionais de marketing e crescimento. Em sua palestra “The Death of the Click: How to Capture Demand Without Traffic”, o fundador da NP Digital defendeu que as métricas tradicionais de audiência já não são suficientes para explicar a forma como as pessoas descobrem produtos, serviços e marcas.

Segundo Patel, a ascensão da inteligência artificial e a fragmentação das jornadas digitais estão mudando a lógica da descoberta. “As marcas precisam abandonar a obsessão por tráfego e começar a disputar algo mais valioso: influência, visibilidade e a presença nos ambientes em que os consumidores realmente tomam decisões”, afirmou.

O especialista destacou que os usuários chegam aos sites cada vez mais contextualizados, muitas vezes após interagir com sistemas de IA ou consultar diferentes fontes antes mesmo de realizar uma busca tradicional. Nesse cenário, o volume de visitas deixa de ser a única medida de sucesso, dando espaço para indicadores relacionados à influência, reputação e autoridade das marcas.

A visão apresentada por Patel dialogou diretamente com uma das principais mensagens do Web Summit Rio 2026. Em um ambiente marcado pela inteligência artificial, pela creator economy e pela multiplicação dos pontos de contato com o consumidor, o desafio deixa de ser apenas gerar tráfego e passa a ser construir presença, confiança e relacionamentos duradouros com as audiências.

Na era da IA, a capacidade criativa do humano permanece sendo o diferencial mais valioso

Se em anos anteriores a inteligência artificial era apresentada como promessa, o Web Summit Rio 2026 mostrou uma mudança de discurso. Entre atletas, criadores, executivos e empreendedores, surgiu um consenso: em um mundo cada vez mais automatizado, a tecnologia continua avançando, mas a capacidade humana de criar, interpretar e construir conexões permanece sendo o diferencial mais valioso.

Fotos (divulgação Web Summit): Web Summit Rio | Flickr

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