Por Marcel Serafim, Diretor Executivo de Eletrificação e Bens de Consumo da Elgin
Durante muito tempo, a casa inteligente estava muito associada à automação de comandos. Acender uma lâmpada pelo celular, pedir ao assistente de voz para desligar um equipamento ou acompanhar uma câmera à distância foram avanços importantes e ajudaram a aproximar a automação residencial do consumidor.
Agora estamos ingressando em uma nova era em que a próxima evolução não está relacionada a quantidades de dispositivos conectados, mas em reduzir a necessidade de interagir diretamente com eles. Eu explico.
Estamos saindo de uma casa automatizada, que responde aos nossos comandos, para espaços intuitivos, capazes de interpretar situações, aprender hábitos e antecipar necessidades.
A IA é uma das grandes responsáveis por essa transformação. Sistemas residenciais começam a utilizar informações sobre ocupação, comportamento e condições do ambiente para tornar a automação mais adaptativa. A tecnologia deixa de simplesmente executar uma instrução e passa a considerar o contexto.
O que importa para o consumidor não é ter mais tecnologia dentro de casa, mas sentir conforto, segurança e simplicidade. É justamente por isso que a climatização e a segurança serão dois pilares importantes dessa nova forma de morar.

Na climatização, inteligência já não significa apenas ligar ou desligar um equipamento pelo smartphone. Significa entender quando e como um ambiente é utilizado e ajustar seu funcionamento para proporcionar conforto com mais eficiência.
Na segurança, ocorre movimento semelhante. Primeiro conectamos as câmeras e passamos a acessar as imagens de qualquer lugar. Agora, avançamos na interpretação dessas imagens. Sistemas já utilizam visão computacional para distinguir pessoas, animais e objetos.
Na prática, uma casa inteligente não deveria se tornar mais um dispositivo que rouba a nossa atenção. O ideal é que as notificações, quando necessárias, sejam mais precisas, com menos ruído e mais contexto.
Há ainda outro desafio importante: fazer diferentes tecnologias trabalharem juntas. O consumidor não quer um lar como um conjunto de aplicativos. Câmera, iluminação, fechadura, sensores e climatização fazem parte do mesmo ambiente. Quanto mais simples for essa integração, maior será o valor percebido. A evolução da interoperabilidade entre dispositivos e plataformas caminha justamente para reduzir essa fragmentação.
No Brasil, já vemos essa mudança ganhando escala. Na Elgin, por exemplo, o segmento de casa inteligente cresce acima de 30% quando consideramos categorias como câmeras, ventiladores, sensores e lâmpadas inteligentes. Mais relevante do que o número é perceber que essas soluções começam a alcançar diferentes canais e perfis de consumidores.
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Isso também aumenta a responsabilidade da indústria. Não basta acrescentar conectividade a um produto e chamá-lo de inteligente. A tecnologia precisa resolver problemas reais, ser simples de usar e gerar benefícios que o consumidor perceba no dia a dia. E quanto mais a casa aprende sobre nossos hábitos, maior deve ser a atenção à privacidade, à proteção de dados e à segurança digital.
A residência futurista não será como o desenho dos Jetsons nos mostrava, repleta de telas e gadgets disputando nossa atenção. O futuro será totalmente oposto: a tecnologia estará cada vez mais presente, mas muito menos percebida. Durante anos, ensinamos as pessoas a dar comandos para acionar os dispositivos da sua casa. Agora começamos a ensinar as casas a compreender as pessoas.
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