O valor do histórico conectado do cliente

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valor do historico conectado do cliente

Por que os dados de uma compra, quando analisados isoladamente, dizem pouco sobre a relação do consumidor com a marca

As plataformas de marketing registram cada vez mais detalhes sobre uma conversão. É possível saber quais produtos foram comprados, o valor do pedido, o desconto aplicado, o canal de origem, a localização do consumidor e uma série de outras informações.

Apesar dessa riqueza de dados, existe uma diferença importante entre conhecer uma compra e conhecer o cliente que realizou a compra.

Pense em dois pedidos de R$ 500. Um deles foi feito por um consumidor que compra naquela empresa a cada duas semanas. O outro representa a primeira compra de um novo cliente. Em um relatório de conversões, os dois pedidos podem ter exatamente o mesmo valor. Para a estratégia de marketing, no entanto, eles não deveriam receber o mesmo tratamento.

O consumidor recorrente já conhece a marca, possui um hábito de compra e talvez nem precisasse ser impactado por uma campanha de aquisição. O novo cliente está apenas começando uma relação que poderá gerar outras compras ao longo do tempo.

O que diferencia essas duas situações não é o valor da transação, mas o histórico de cada consumidor.

Quando as compras e demais interações são associadas a um perfil único, a empresa deixa de enxergar uma sucessão de eventos isolados. Ela passa a compreender a trajetória do cliente e pode usar esse conhecimento para melhorar decisões de aquisição, retenção, personalização e investimento em mídia.

O primeiro desafio é reconhecer quem está comprando

A construção desse histórico começa pela capacidade de identificar o consumidor nos diferentes pontos de contato.

Em empresas digitais ou serviços por assinatura, boa parte das interações acontece em ambientes nos quais o cliente está autenticado. No varejo físico, nos supermercados e nas redes de alimentação, o desafio é maior. Uma pessoa pode entrar em uma loja, fazer uma compra e sair sem fornecer qualquer identificação.

Programas de fidelidade, aplicativos, carteiras digitais e cupons vinculados ao cadastro ajudam a resolver esse problema. Mais do que distribuir pontos ou benefícios, esses recursos permitem associar uma compra realizada no caixa, na loja ou no drive-thru a um consumidor conhecido.

Por isso, o número de pessoas cadastradas em um programa de fidelidade não revela, sozinho, a qualidade da identificação dos clientes. Uma empresa pode ter milhões de membros e reconhecer apenas uma pequena parcela das compras realizadas diariamente.

O indicador mais útil é a cobertura de identificação, ou seja, a porcentagem das transações que podem ser vinculadas corretamente a um consumidor, respeitando os consentimentos concedidos e as regras de uso dos dados.

Quanto maior essa cobertura, maior a capacidade da empresa de compreender a frequência de compra, o intervalo entre os pedidos, as categorias preferidas, os canais utilizados, a resposta a promoções e outros padrões de comportamento.

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O histórico dá contexto à transação

Saber que alguém comprou um café hoje pela manhã é uma informação útil. Saber que essa mesma pessoa costuma comprar café todas as manhãs, de segunda a sexta-feira, oferece um contexto muito mais relevante.

Se ela deixar de comprar durante três dias, nenhuma nova transação será registrada. Mesmo assim, há uma informação importante naquele intervalo. A ausência da compra pode indicar uma mudança de hábito ou o início de um afastamento.

Esse sinal só existe porque a empresa conhece o comportamento anterior daquele consumidor. Sem o histórico, os três dias sem compra seriam apenas um espaço vazio na base de dados.

A mesma lógica vale para a preferência por uma categoria. Uma compra isolada de produtos infantis não significa necessariamente que o cliente tenha afinidade com essa categoria. Pode ter sido um presente ou uma necessidade pontual. A repetição ao longo de vários pedidos, por outro lado, revela um padrão mais consistente.

Também é possível observar mudanças no valor médio das compras, no uso de descontos, na frequência de devoluções, no canal preferido ou no horário em que o consumidor costuma interagir com a marca. Esses dados ganham significado quando analisados como parte de uma sequência, e não como acontecimentos independentes.

Cada informação tem um prazo de validade

Nem todos os sinais de comportamento permanecem relevantes durante o mesmo período.

A visita a uma página de produto pode indicar uma intenção imediata, que perde força depois de algumas horas ou dias. A frequência de compra talvez precise ser recalculada diariamente para que a empresa perceba rapidamente uma mudança no padrão. Já a afinidade com uma categoria costuma se formar ao longo de várias interações e tende a mudar de maneira mais lenta.

Por isso, não existe uma regra única para atualizar e ativar esses dados. A empresa precisa considerar o comportamento do seu público e a decisão que pretende melhorar.

Se o objetivo é evitar que compradores recorrentes recebam campanhas de aquisição, será necessário definir quais critérios caracterizam um cliente recorrente e com que frequência essa informação deve ser atualizada.

Se a intenção é otimizar a mídia pelo potencial de valor de cada consumidor, o cálculo não deveria considerar somente a última compra. Frequência, margem dos produtos, uso de promoções, devoluções e probabilidade de recompra podem alterar bastante o valor atribuído a uma conversão.

Esse cuidado evita que dois pedidos do mesmo valor sejam interpretados como resultados equivalentes quando, na prática, representam momentos muito diferentes da relação com a marca.

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Como o histórico melhora o marketing de performance

Uma das distorções mais comuns na mídia digital acontece quando campanhas de aquisição recebem crédito por vendas realizadas por clientes que já comprariam novamente.

Um consumidor recorrente pode visualizar um anúncio, acessar o site e concluir uma compra. A plataforma de mídia registra a conversão, o retorno sobre o investimento melhora e a campanha parece eficiente. Isso não significa, necessariamente, que o anúncio tenha provocado aquela venda.

Em alguns casos, a campanha apenas alcançou uma pessoa que já conhecia a empresa, possuía hábito de compra e estava próxima de fazer um novo pedido.

Com o histórico conectado, a marca consegue separar melhor essas situações. Clientes recorrentes podem ser retirados de campanhas destinadas exclusivamente à conquista de novos consumidores. Pessoas que reduziram a frequência de compra podem receber ações de reativação. Novos compradores podem entrar em uma jornada específica para estimular a segunda compra, que costuma ser um passo decisivo na construção do relacionamento.

Também se torna possível enviar às plataformas de mídia informações mais qualificadas sobre o valor de cada conversão. Em vez de otimizar as campanhas apenas para gerar o maior número possível de pedidos, a empresa pode buscar consumidores com maior probabilidade de voltar, comprar categorias mais rentáveis ou desenvolver uma relação de longo prazo.

A transação continua sendo importante, mas deixa de ser a única referência para a tomada de decisão.

Conectar os dados exige mais do que capturar identificadores

Imagine uma compra feita no drive-thru de uma rede de restaurantes. O cliente informa seu CPF ou utiliza o aplicativo do programa de fidelidade. Para que essa interação realmente faça parte de seu histórico, o identificador coletado precisa ser associado ao mesmo perfil utilizado em uma compra anterior no aplicativo ou no site.

A simples captura do identificador não garante que essa associação ocorrerá corretamente. Cadastros duplicados, informações desatualizadas e regras diferentes entre sistemas podem fragmentar o histórico de uma mesma pessoa.

Resolver esse problema exige integrar dados do site, do aplicativo, do ponto de venda, do comércio eletrônico, do CRM e do atendimento. Os perfis também precisam refletir as atividades recentes com rapidez suficiente para que as informações ainda sejam úteis no momento da ativação.

Outro ponto essencial é a governança. Consentimentos, preferências de privacidade e restrições de uso precisam acompanhar os dados em todos os destinos. Não adianta manter as autorizações em um sistema separado enquanto informações de comportamento circulam entre diferentes plataformas sem os mesmos controles.

As Customer Data Platforms podem atuar como a camada responsável por receber eventos de diversas fontes, relacionar identificadores, manter o histórico dos clientes e disponibilizar públicos e sinais para os canais autorizados. Soluções como a Rokt mParticle estão inseridas nesse mercado.

Ainda assim, a contratação de uma tecnologia não resolve o desafio por conta própria. A empresa precisa definir quais dados realmente serão utilizados, como os clientes serão reconhecidos, quais padrões de comportamento serão calculados e quais decisões de negócio deverão melhorar.

A visão unificada precisa produzir decisões melhores

O mercado fala há anos sobre a construção de uma visão completa do cliente. Muitas empresas investiram em CRM, data lakes, programas de fidelidade e plataformas de dados, mas continuam operando campanhas a partir de conversões isoladas.

Reunir informações em um único ambiente é apenas parte do trabalho. O valor aparece quando esse histórico ajuda a decidir quem deve receber uma campanha, qual mensagem deve ser apresentada, quanto vale uma conversão, quando um cliente começa a se afastar e qual canal tem maior chance de gerar uma resposta.

Um perfil unificado não deveria funcionar apenas como um cadastro mais completo. Ele precisa ajudar a transformar dados em decisões que façam diferença para o negócio e para a experiência do consumidor.

Duas compras de R$ 500 podem representar a mesma receita no fechamento do dia. Uma delas, porém, foi realizada por um cliente fiel. A outra pode ser o começo de uma nova relação.

A transação informa o que aconteceu. O histórico ajuda a entender o significado daquela compra e qual deve ser o próximo passo da marca.

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