Mycon: a nova lógica de crescimento em ecossistemas complexos

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Mycon nova lógica de crescimento em ecossistemas complexos consorcio

No VTEX DAY 2026, a Insider One reuniu Mycon e aunica para discutir um desafio que está no centro da agenda de growth, marketing e tecnologia: como escalar jornadas digitais em um ambiente onde dados, sistemas e times evoluem em velocidades diferentes.

Mais do que um case, o painel trouxe um retrato honesto dos bastidores. Sem atalhos, sem buzzwords. Um olhar prático sobre o que realmente trava, e o que destrava, ecossistemas complexos.

O Mycon é uma fintech brasileira que atua no mercado de consórcios com uma proposta 100% digital, eliminando a dependência do modelo tradicional baseado em vendedores e redes físicas. A empresa estruturou sua operação para que a jornada de descoberta, educação, simulação e contratação aconteça majoritariamente de forma autônoma pelo usuário, apoiada por dados e personalização.

Esse posicionamento exige não apenas eficiência de aquisição, mas uma capacidade contínua de educar o cliente ao longo da jornada, já que consórcio ainda é um produto de baixa penetração e alto nível de complexidade. Isso, por si só, já impõe um nível elevado de desafios na comunicação.

“Estamos falando de um produto financeiro de alto ticket, longo prazo e com múltiplas jornadas. E, ao mesmo tempo, mais da metade da nossa conversão acontece de forma totalmente digital e muitas vezes autônoma”, explica Bruno Borges, Diretor de Marketing, Growth e Produtos no Mycon.

Complexidade não está só na tecnologia

Quando se fala em ecossistema complexo, é comum associar o desafio apenas à tecnologia. Mas, na prática, a complexidade começa no próprio modelo de negócio.

“Adaptar soluções que nasceram no e-commerce tradicional para um modelo de serviço parece simples. Mas quem está do outro lado sabe que não é. A complexidade não está só na tecnologia, está na natureza do negócio”, complementa Sérgio Hirase, CTO (Chief Technology Officer), IA e Dados, Cyber Risk e Inovação no Mycon.

No caso do consórcio, a diversidade de tickets, perfis de clientes e jornadas exige uma lógica muito mais sofisticada de dados, personalização e tomada de decisão.

O ponto cego: a jornada do dado

Se existe um tema que atravessou todo o painel, foi a necessidade de tratar dados como fundação, não como consequência.

“Todo mundo fala que dado é o novo petróleo. Mas, na prática, poucas empresas conseguem trabalhar isso de verdade”, afirma Sérgio.

E vai além:

“As pessoas falam o tempo todo da jornada do cliente, mas subestimam a jornada do dado. Sem isso resolvido, nada escala.”

Esse ponto é crítico. Em ecossistemas complexos, não basta capturar dados. É preciso garantir que eles fluam, sejam transformados, unificados e retornem para o negócio em tempo útil para ativação.

CDP não resolve sozinho

Outro aprendizado importante foi entender que tecnologia, por si só, não resolve o problema.

“Você pode ter uma Ferrari na mão. Mas o que você vai fazer com ela? Dado sem ação não serve para nada”, provoca Bruno.

No início da jornada, o Mycon percebeu que precisava dar um passo atrás antes de escalar.

“A gente teve que parar e responder uma pergunta básica: quais casos de uso realmente importam para o negócio?”

Esse movimento de priorização foi fundamental para evitar dispersão e garantir que o stack de Martech gerasse valor real.

O erro clássico: achar que existe um time

Um dos momentos mais relevantes do painel foi quando a discussão saiu da tecnologia e entrou em pessoas e cultura.

“Quando você coloca todo mundo na sala, parece que tem um time. Mas não tem”, afirma Sérgio.

A construção de um time de verdade exigiu mais do que alinhamento técnico.

“Se você não cria um ambiente seguro para o time discordar, levantar problema e pedir ajuda, o projeto não anda.”

Na prática, isso significou estruturar rituais, definir responsabilidades claras e, principalmente, criar um ambiente de confiança.

Governança: onde os projetos travam ou destravam

Outro ponto crítico foi a definição de governança e tomada de decisão.

“Se o time não acredita na prioridade definida, a chance de dar resultado é baixíssima”, explica Bruno.

Para resolver isso, o Mycon adotou um modelo mais colaborativo, mas com responsabilidade clara.

“A decisão precisa ser colegiada, mas com dono definido. Democracia sem responsabilidade não escala.”

Esse equilíbrio entre colaboração e ownership foi essencial para dar velocidade ao projeto.

O caos técnico real (e pouco glamourizado)

Além dos desafios estratégicos e organizacionais, o painel trouxe exemplos concretos de problemas técnicos que, apesar de simples, travam a operação.

“Tem coisa simples que vira gargalo real. Um atributo mal formatado já impede personalização em tempo real.”, comentou Kátia Furtado, Data & Insights Manager na consultoria de Martech e Dados aunica.

Sérgio reforça:

“Capturar o dado é fácil. O difícil é integrar isso com um legado antigo e devolver em tempo real para ativação.”

E aqui vem uma provocação importante:

“D-1 hoje é morte para quem trabalha com jornada.”

A migração para um modelo de dados mais próximo do tempo real foi um dos maiores desafios técnicos enfrentados pelo Mycon.

Kátia complementa: “A jornada do dado é tão crítica quanto a jornada do cliente. Se ela não funciona, nada do resto funciona.”

Onde o valor começou a aparecer

Com a base de dados estruturada e a governança ajustada, o Mycon começou a capturar valor de forma mais consistente.

“A gente saiu de um modelo genérico de carrinho abandonado para algo muito mais segmentado por produto e ticket”, explica Bruno.

Além disso, a empresa evoluiu em jornadas educacionais, personalização e automações mais inteligentes.

“A vantagem de ter esse tipo de stack é que você consegue testar sem machucar o faturamento.”

Essa capacidade de testar, aprender e iterar rapidamente se tornou um diferencial competitivo.

O que realmente faz diferença

Ao final, o painel deixou claro que tecnologia é apenas uma parte da equação.

“O desafio não é comprar tecnologia. É ter um time preparado para extrair valor dela”, reforça Sérgio.

E talvez o principal aprendizado venha da reflexão sobre o início da jornada.

“Se eu voltasse dois anos atrás, faria mais perguntas. As perguntas certas no começo encurtam muito o caminho”, conclui Bruno.

O que fica

O case do Mycon mostra que operar em um ecossistema complexo não é sobre simplificar o problema, mas sobre organizar a complexidade.

Dados bem estruturados, times alinhados, governança clara e foco em casos de uso são os pilares que permitem transformar um stack de Martech em uma máquina real de crescimento.

“O grande salto acontece quando o dado deixa de ser apenas histórico e passa a ser acionável em tempo real. É nesse momento que a empresa sai de uma lógica de campanhas isoladas e começa a operar jornadas contínuas e orientadas por comportamento”, afirma Fernando Jaques, Country Manager Brasil na Insider One.

No fim, não é sobre tecnologia. É sobre como pessoas, dados e decisões se conectam para fazer a jornada acontecer.

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