App-first: apps inteligentes como principal ativo estratégico das marcas

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A conversa com Rodrigo Freitas, CTO e cofundador da Kobe Apps, aconteceu no stand da empresa durante o VTEX DAY 2026, em meio a uma agenda que, mais uma vez, colocou o tema da experiência digital no centro das discussões do varejo.

Logo no início, Rodrigo resume bem o papel do evento para a companhia, menos como vitrine e mais como ponto de troca com o mercado.

“Aqui é onde a gente encontra clientes, parceiros e toda a comunidade de e-commerce. É o momento de mostrar o que estamos construindo e trocar com o mercado.”

Ao longo da conversa, fica evidente uma leitura que vem ganhando força no setor: o aplicativo passa a ocupar um papel mais estrutural na estratégia das marcas. Não apenas como canal de conversão, mas como ambiente onde relacionamento, dados e decisão acontecem de forma contínua.

“O ponto mais interessante está na mudança de lógica. O app passa a ser o ambiente onde a marca conhece o usuário, aprende com o comportamento e evolui a jornada continuamente. E a IA entra como um novo elemento estrutural, não como buzzword, mas como ‘cérebro’ da operação. Uma camada que conecta dados, entende contexto e ajuda a tomar decisões melhores ao longo da jornada.”

Essa percepção não acontece por acaso. Os dados mais recentes de mercado reforçam o papel do mobile como protagonista no e-commerce, com cerca de 60% das vendas online já realizadas por dispositivos móveis, podendo ultrapassar 70% em alguns mercados.

Além disso, 79% dos consumidores já compraram pelo celular, evidenciando que o comportamento mobile deixou de ser tendência e se consolidou como padrão.

Mas o ponto mais estratégico está na diferença entre app e web. Usuários passam aproximadamente 90% do tempo em aplicativos, que podem converter até três vezes mais e gerar o dobro de recompra em comparação ao mobile web, além de serem preferidos por mais de 60% dos consumidores.

Esse impacto também se reflete em valor, com usuários de aplicativos podendo representar entre 2,8x e 5x mais valor ao longo do tempo, além de aumentos de até 43% no LTV e cerca de 18% no ticket médio com uso de personalização.

Nesse contexto, a discussão sobre inteligência artificial aparece menos como tendência e mais como uma camada necessária para dar conta da complexidade das jornadas atuais.

“O NODO funciona como um cérebro. Ele conecta dados, entende comportamento e ajuda o cliente a tomar decisões melhores dentro da jornada.”

O diferencial do NODO está na forma como opera. Em vez de depender de canais de terceiros ou modelos genéricos, ele atua diretamente nos ambientes proprietários da marca, como app e e-commerce, garantindo controle sobre dados e relacionamento com o consumidor.

Mais do que uma funcionalidade, o conceito de “cérebro” representa uma camada de orquestração: a IA utiliza dados próprios para construir interações contextualizadas, alinhadas às regras comerciais, ao catálogo e à identidade da marca.

Esse modelo responde a uma dor crescente do mercado, que é manter governança em um cenário cada vez mais fragmentado. Ao mesmo tempo, ao longo da jornada, a IA reduz fricções típicas do e-commerce, especialmente a insegurança na tomada de decisão, aproximando a experiência digital de um atendimento mais humano.

Essa evolução não substitui o que já existe, mas reposiciona o papel da tecnologia dentro da jornada.

“A IA não vem para substituir as plataformas. Ela complementa, conecta os dados e potencializa o que já existe, trazendo mais inteligência para a decisão.”

Na prática, isso reforça um movimento mais amplo de mercado, em que plataformas como a VTEX e a Shopify passam a conviver com novas camadas de inteligência, responsáveis por dar mais fluidez à jornada e aumentar a eficiência das decisões em tempo real.

Outro aspecto que aparece de forma recorrente na conversa é a complexidade das operações de varejo. Ainda que exista escala, não há padronização. Cada empresa carrega suas próprias regras, dinâmicas e necessidades.

“Cada implementação é única. A gente não entrega só o básico, mas evolui junto com o cliente, criando jornadas específicas e melhorando continuamente a experiência.”

Essa visão ajuda a explicar por que a discussão sobre personalização deixou de ser diferencial e passou a ser infraestrutura. Não se trata mais de segmentar melhor campanhas, mas de adaptar continuamente a experiência com base no comportamento real do usuário.

Ao final, a sensação é de que o debate não está mais centrado em adquirir mais tráfego, mas em operar melhor os ambientes próprios.

“O app é onde conseguimos criar uma experiência contínua, entender o comportamento e evoluir a jornada de forma constante.”

A entrevista reforça um ponto que permeou diferentes conversas ao longo do VTEX DAY 2026: à medida que o acesso à tecnologia se democratiza, a vantagem competitiva migra para a capacidade de execução. No limite, não é mais sobre ter IA, mas sobre como ela é aplicada para reduzir fricção, melhorar decisões e sustentar crescimento de forma consistente ao longo do tempo.

Fontes dos dados:

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